Com a apresentação na última Fenatran do Volkswagen e-Delivery, o Brasil mostra sua capacidade de participar de uma tendência mundial na eletrificação de veículos, principalmente, de carga e passageiros, isso após a Iveco já ter apresentado o primeiro caminhão brasileiro elétrico em meados de 2009. De um ou dois anos para cá, cidades europeias falam em aumentar a restrição aos veículos a combustão para incentivar o uso dos veículos elétricos, porém ainda sem uma análise mais profunda das consequências. Desafios tecnológicos, ambientais e econômicos precisam ser vencidos para a viabilidade da mobilidade elétrica. Por enquanto, o que vemos no mundo, são ensaios acessíveis apenas as elites econômicas. Vamos as perguntas que precisam ser respondidas:

4Qual a viabilidade econômica?

Quanto vai custar o caminhão elétrico? As baterias ainda são muito caras. Vários construtores dizem  que, em média, elas representam 50% do valor do veículo. Atualmente, o automóvel elétrico custa o dobro, as vezes mais do que o dobro, quando comparado a um modelo similar convencional.

Atualmente o VW Delivery 9.160 a diesel custa R$ 171.683, segundo tabela da Molicar. A MAN Latin America ainda não divulgou o preço do e-Delivery. Mas se seguirmos a lógica dos automóveis, podemos estimar que e-Delivery custará mais de R$ 343 mil. O fabricante diz que, apesar do investimento inicial maior, o retorno vem da economia com manutenção e combustível. É verdade que não há o motor a combustão para dar manutenção, mas as baterias terão que ser trocadas entre 5 e 10 anos pelo preço de um caminhão similar a diesel zero quilômetro. A experiência da Eletra, parceira no projeto do e-Delivery e fabricante dos ônibus elétricos que rodam em São Paulo, é de que as baterias têm uma vida útil de cinco anos devido ao uso intenso, o que é muito pouco para poder fechar a conta. Sobre a energia elétrica, vale lembrar também que a nossa está cada vez mais cara por causa da falta de infraestrutura. Nesses últimos dias, a bandeira vermelha 2 teve um aumento de 43%. Isso, no futuro, pode mudar. Só não sabemos se para melhor ou para pior e quando?

Muitas contas ainda precisam ser feitas para sabermos se elas fecham. Muitos defendem subsídio do governo para viabilizar os veículos elétricos. Mas como dar subsídio com áreas prioritárias como saúde, educação e segurança pública falidas? A iniciativa privada e o consumidor precisarão bancar a conta, mas sabemos que não querem ou não podem. Países europeus com renda per capita de R$ 190 mil/ano estão dando subsídios que seus cidadãos comprem automóveis elétricos. Um dos países da Europa reduziu o subsídio e as vendas de carros elétricos caíram mais de 50%. Será que nós, brasileiros com renda per capita de R$ 30 mil/ano, teremos condições de bancar a conta?

Vale lembrar que, no rico Estados Unidos, somente empresas grandes e ricas têm conseguido comprar caminhões híbridos (mais barato do que o 100% elétrico), feitos com motores a combustão movido à combustíveis alternativos e elétricos. A Fedex é uma dessas empresas que investe bastante em veículos alternativos. Porém, a maior parte da frota da Fedex ainda é movida a diesel e gasolina.  Assim, o que podemos imaginar é que caminhões elétricos será, por enquanto, para empresas ricas e que precisam fazer uma boa imagem de sustentabilidade ambiental. Para o transportador brasileiro, com margens achatadas devido ao frete defasado, é uma realidade ainda bastante distante. A melhoria da eficiência logística pode ajudar a pagar a conta, mas por outro lado, o crescimento do roubo de carga tem aumentado os custos das transportadoras com sistemas de segurança.

Anterior