Quando o assunto é a boa manutenção da frota, conhecer alguns dos principais sistemas e componentes dos veículos é uma das medidas mais eficientes para garantir a sua conservação.

 

Esse entendimento mais técnico permite não só ao motorista, mas também ao frotista, adotar boas práticas para melhorar o uso e a segurança da máquina, prolongar sua vida útil e ainda reduzir os custos logísticos da empresa.

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Pensando nisso, *Roberta Caprile – que atua na área de marketing da Cobli, startup especializada em rastreamento, telemetria e gestão de frotas – elencou cinco curiosidades sobre um dos principais sistemas do veículo, o freio-motor.

O freio-motor pode ser um aliado do consumo de combustível

Essa é uma curiosidade bastante interessante para quem lida com frotas, já que toda economia é muito bem-vinda nesse caso. Muitos condutores não acreditam que o freio motor pode ajudar na economia de combustível.

Quando esse recurso é utilizado, o motor geralmente trabalha em rotações mais altas, levando a crer que, na verdade, o consumo de combustível se eleva. Esse raciocínio faz todo o sentido, mas não condiz com a realidade.

Como essa economia acontece, então? Ao acionar o freio-motor, o pedal do acelerador é praticamente esquecido. É justamente isso que ajuda a economizar combustível: afinal, mesmo com o giro mais alto, o motor não é alimentado com combustível, já que a injeção só acontece quando se pisa no acelerador.

Desse modo, é fácil concluir que o deslocamento controlado do veículo e a rotação do motor são causados mais pela inércia do que pelo resultado da combustão. Logo, a economia de combustível é certa.

O freio motor pode reduzir o desgaste do sistema de freio convencional

Em longos trechos de declive ou em descidas mais íngremes, por exemplo, a utilização do freio motor reduz a carga de trabalho aplicada sobre o sistema comum. Afinal, o controle da rotação do motor ocasionado por ele faz o veículo reduzir a velocidade gradativamente e evita, assim, que o condutor tenha de acionar o pedal de freio a todo momento.

De modo geral, isso significa que o desgaste das pastilhas e das lonas de freio, assim como o dos pneus, é bastante reduzido, em razão da melhor distribuição da frenagem entre o sistema convencional e o freio-motor.

O uso desse sistema não prejudica nenhum outro componente

Embora essa seja uma afirmação comum entre os motoristas, é preciso deixar claro que a utilização do freio-motor em nada prejudica o motor, a embreagem ou qualquer outro componente do veículo. Esse sistema, na verdade, faz parte do seu funcionamento normal.

É por isso que os caminhões são projetados para utilizar o freio-motor em harmonia com todos os outros componentes mecânicos.

Se isso não bastasse, o freio-motor ainda pode ser visto como um sistema auxiliar de segurança e controle do veículo em situações de risco — como acontece em trechos de descida longos ou acentuados, em que o freio comum sofre mais estresse em razão do superaquecimento do sistema, por exemplo.

O uso correto é essencial

Como complemento do tópico anterior, cabe destacar que, para que o freio-motor não prejudique nenhum componente mecânico do veículo, é essencial saber utilizá-lo. Na hora de fazer a redução das marchas — especialmente em veículos que usam câmbio manual —, é extremamente recomendável respeitar a rotação do motor e a velocidade de deslocamento do automóvel.

Reduzir as marchas incorretamente, de maneira brusca, pode fazer com que o giro suba exageradamente e isso pode causar um descompasso com o movimento das engrenagens da transmissão — com grandes chances de elas serem seriamente danificadas.

Além disso, o mau uso do freio-motor pode superaquecer o propulsor e aumentar a pressão no cilindro, bem como comprometer sua estrutura. Por isso, o ideal é fazer as reduções gradualmente, buscando manter o giro do motor em um nível aceitável.

Isso varia de um veículo para outro, mas é possível usar a faixa vermelha do conta-giros como referência, mantendo as rotações um pouco abaixo dela. É importante lembrar que cada veículo tem uma faixa de rotação ideal para o acionamento do freio-motor. A ideia é garantir a eficiência do sistema e preservar os componentes mecânicos do automóvel 

O freio motor serve como um sistema auxiliar

Ter a consciência de que o freio-motor funciona como um sistema complementar que ajuda a manter a segurança e a dirigibilidade do veículo é o ponto principal para saber onde e como ele deve ser utilizado.

Não é em todas as ocasiões que há a necessidade de acioná-lo. Na realidade, ele é pensado e desenvolvido para ser aplicado em situações de descida, nas quais é necessário segurar o veículo para que a inércia causada por seu peso não o faça acelerar de maneira perigosa.

É comum que os veículos de carga, por exemplo, especialmente os mais modernos, tenham sistemas de freio-motor robustos, com comando simplificado, que trabalham em conjunto com a caixa de câmbio automatizada. Assim, tudo fica mais fácil, já que um mecanismo autônomo assume grande parte das decisões.

Por fim, embora o freio-motor seja um sistema com funcionamento bastante simples, utilizá-lo de forma eficiente exige alguns conhecimentos básicos e o uso de boas práticas. Cada um dos pontos apresentados neste post serve de apoio para otimizar seu uso e, de maneira mais geral, evitar o desgaste prematuro de freios, embreagem e pneus do veículo.

Por Roberta Caprile*