Em parceria com a Breda Logística e a Suspensys (empresa do Grupo Randon) Logística, a Mercedes-Benz desenvolveu uma nova versão do Axor plataforma com segundo eixo dianteiro para operações fora de estrada. Trata-se 3344 8X4, que no caso da Breda, que adquiriu 23 unidades, passa de 50 toneladas de PBTC para 56 atrelado a um conjunto Romeu e Julieta de três eixos.  Os veículos, todos automatizados, foram adquiridos para o transporte de toras de eucalipto de plantações no Vale do Paraíba/SP para a indústria de celulose.

A empresa opera com modelos Axor desde que começou a transportar eucaliptos, em 2006. De acordo com Henri Hardt, diretor de manutenção da Breda Logística, os modelos novos vão substituir 26 Mercedes-Benz Axor 3340 6X4, com transmissão mecânica, que já atingiram o limite de idade para serem trocados. Dos 155 caminhões fora de estrada a empresa, 65% Mercedes-Benz e os demais Scania.

A implementação de um segundo eixo direcional com capacidade para mais sete toneladas de carga, inclui também modificações no cardan e chassis, alteração da distância entre-eixos e reforços. Marcos Andrade, gerente de produto caminhão, da Mercedes-Benz, explica que dentro da operação do transporte de madeira existem desafios que exigem produtos específicos, como por exemplo, terrenos com topografia irregular, trajetos com torção do caminhão, vibração e patinação.

“Cada aplicação tem produto específico. Tudo isso tem de ser levado em conta na hora de desenvolver o caminhão para o cliente”, acrescentou Andrade. Ele destacou que nesse tipo de transporte a produtividade o grande desafio é carregar mais carga por viagem. Quanto maior a distância, o ideal é levar maior peso, pois diferente de outros segmentos, neste tipo de operação em que o caminhão retorna descarregado – e o combustível representa cerca de 60% da operação – é fundamental a aplicação de veículo robusto, mas que não prejudique o consumo de diesel, conforme explicou.

Cada aplicação tem o produto específico. Tudo isso tem de ser levado em conta na hora de desenvolver o caminhão para o cliente, diz Marcos Andrade

Andrade cita que cada caminhão da marca tem até três relações de eixo (curta, média e longa), características técnicas que alteram consumo e desempenho. É comum também para o setor madeireiro lançar mãos a outros recursos que ajudam a reduzir a tara do conjunto, como por exemplo, rodas de alumínio e pneus. Por conta disso houve mudanças como a migração do pneu 1.100 R22 para o 295/80 R22.5 (sem câmara), sendo possível ganhar até cinco toneladas por viagem.

O diretor geral da Breda Logística, Ricardo Rodriguez Canton, reforçou que a versão 8X4 do Axor vai contribuir para a empresa aumentar a produtividade e reduzir mais os custos operacionais, na medida que é o veículo possibilita o transporte de mais carga por viagem.  A frota da empresa roda em regime de 24 horas, atingindo 30 mil quilômetros por mês por caminhão. O primeiro dos 23 Axor 3344 8X2 foi entregue à Breda durante a realização da Expoforest, feira para o setor madeireiro, assim com o um todo (celulose, papel, pisos laminados, painéis de madeira, carvão vegetal e biomassa) que também faz parte do agronegócio.

Desde 2016 o Brasil é o segundo maior produtor mundial de celulose. Em 2017 foram 17.492 milhões de toneladas, das quais 70% das exportações tem a China e Europa como destinos. O País se destaca também como líder mundial em produtividade florestal, com 7,8 milhões de hectares plantados, sendo 72% eucaliptos. As maiores áreas de plantio estão localizadas nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Atualmente, são cerca de sete anos o tempo entre o plantio e o corte de um pé de eucalipto. Atualmente, o segmento absorve entre 500 e 700 unidades por ano. Marcos Andrade disse ainda que a Mercedes-Benz tem cerca de 40% de participação no segmento, sendo quase 60% caminhões rígidos. MAN, Scania e Volvo também apresentaram produtos para o setor madereiro.

Modelo 6×4 em demonstração para clientes na Expoforest, em Santa Rita do Passa Quatro

por João Geraldo