Certos veículos conquistam o consumidor de um modo tão abrangente que deixam saudades quando – por motivos de atualização, principalmente – são retirados de produção. Como consequência e até pela necessidade de valorizar o novo produto, os fabricantes procuram justificar e explicar com veemência que os substitutos são mais eficientes e trazem maior quantidade de benefícios aos transportadores e meio ambiente.

É possivel dizer que esse é o caso do Scania R 440, caminhão que caiu no gosto dos transportadores e há tempos tem dado alegria ao pessoal de vendas da companhia. Há dois anos o modelo sustenta o título de caminhão pesado mais vendido no mercado doméstico, sendo que em 2017, por exemplo, as 3.033 unidades emplacadas lhes garantiram 16% de participação no mercado em que compete. Lançado em 2012, o R 440 reúne – assim como outros veículos de sua categoria – uma série de qualidades que se destacam na visão do transportador, porém, um dos seus elementos de maior destaque é o torque do motor. Fabricado pela própria Scania, assim como todos os demais, esse propulsor (denominado DC13 112) é uma unidade de 13 litros, com seis cilindros em linha, que desenvolve 440cv de potência e 247,3 mkgf de torque entre 1.000 e 1.300 rpm.

Outra característica técnica desse motor é o sistema exclusivo da Scania denominado PDE com unidades injetoras, cabeçotes individuais, quatro válvulas por cilindro, turbo compressor e intercooler. Apesar de sua eficiência, o sistema PDE, que já foi substituído na Europa para atender à norma de emissões Euro 6, já começou a ser trocado também no Brasil, o que significa a saída do mercado do R 440. O provável substituto é o R 450, cujo motor conta o sistema common rail, com maior eficiência e mais utilizado por outras fabricantes de caminhão na Europa, e com maior eficiência.

Painel de instrumentos em curva deixa as funções de operação do veículo mais próximas do motorista, permitindo uma postura mais ergonômica durante a condução

Equipe da Revista O Carreteiro acompanhou parte de uma operação com uma unidade do R 440 6X2 de propriedade da Fagundes Distribuidora de Bebidas para sentir a “pegada” do veículo. Atrelado a um semirreboque com três eixos espaçados (vanderleia) com capacidade total de 53 toneladas de PBTC, o veículo opera carregado com 28 pallets na rota Fernandópolis – São Bernardo do Campo (no ABC paulista), num percurso com mais de 570 quilômetros com 48 toneladas. No destino, a carga é transferida para caminhões menores e distribuída na região metropolitana de São Paulo.

Embora o R-440 disponibilize de forma plena todos os demais itens inerentes a um veículo de sua categoria, em termos de desempenho nada deixa a desejar. O mais importante a ser destacado é o motor, que na configuração 6×2, avaliada nessa reportagem, o DC 13 com 440cv é mais do que suficiente. Como se diz na linguagem da estrada, “sobra”, sendo esse o principal motivo que levou a empresa a adotar o modelo em sua frota.

Equipe da Revista O Carreteiro avaliou o veículo em percurso de 200 quilômetros, tendo como ponto de partida a concessionária Quinta Roda, em Sumaré/SP, a 200 km da capital. A já conhecida caixa de transmissão GRS905 com Opticruise de 14 velocidades – com relação de 3,07:1 combinada ao pneu com medida 295/80R22,5 – mais o  eixo motriz R 885 e o motor, resultam em um eficiente trem de força.

Em velocidade de 80 km/hora, e em 12ª marcha, a rotação do motor se mantém na faixa de 1.000 giros , enquanto o conjunto roda leve pela rodovia Anhanguera. A tocada  é suave, porém com força suficiente para se manter a velocidade constante sem necessidade de o motorista afundar o pé no acelerador.

Tanque de combustível em alumínio tem capacidade para 440 litros de óleo diesel

No trecho de maior aclive, já na rodovia dos Bandeirantes, a velocidade caiu para 70 km/hora, mas  a caixa de transmissão manteve a 12ª marcha, embora a rotação do motor tenha subido de 1.000 para 1.100 rpm.

Por todo o trajeto, o carreteiro Marinaldo Guimarães dirigiu o caminhão no modo automático da caixa Opticruise. Assim, ficou mais confortável para administrar outros sistemas do veículo, como o Drive Support, ferramenta que funciona como um máster drive online e fica instalado no painel do computador de bordo. O equipamento tem capacidade de interpretar o comportamento do motorista e oferece dicas de melhorias na condução em tempo real.  Forte aliado na preservação das lonas de freio e de ganho em velocidade média em trechos de descida, o retarder presente no modelo avaliado é item opcional mesmo na versão do R 440 6X4, configuração na qual o sistema é mais comum.

O modelo, lançado em 2012, é o mais vendido em sua categoria nos últimos dois anos

O painel de instrumentos em curva deixa mais próximas do motorista todas as funções de operação do veículo, permitindo uma postura mais ergonômica durante a condução. Ar-condicionado é item de série e aliado à suspensão a ar do banco do motorista em conjunto com suspensão pneumática da cabine, garantem um ambiente agradável e confortável. Já o airbag é opcional no modelo, assim como o sistema bluetooth de som.

O Scania R 440 em questão estava monitorado pelo serviço de telemetria oferecido pela fábrica. Chamada de Serviços Conectados, essa ferramenta digital é disponibilizada opcionalmente por meio de dois pacotes: o Análise, gratuito (que no pacote oferece relatórios semanais sobre o comportamento do motorista ao volante) e o Desempenho (com relatórios diários), com preço aproximado de R$ 200,00 mensais. O caminhão da Fagundes estava usando o pacote gratuito. (Com informações Andrea Ramos )

MOTOR MAIS AVANÇADO 

Uma empresa dificilmente tira um veículo de produção. Quem o faz é o mercado.

A conhecida explicação tem muito de verdade, principalmente quando se trata de caminhão. E no caso do Scania R 440 – modelo que ao lado do 113 são os maiores sucessos de venda da marca no Brasil – a empresa está seguindo o curso natural da evolução de seus produtos com a chegada dos motores de R 450 e o

R 510cv. “A economia com esses novos motores é de até 5% em relação aos motores atuais. Oferecer caminhões com otimização do custo da operação está totalmente alinhado com o objetivo da Scania”, justificou Eronildo Santos, diretor de desenvolvimento de negócios da Scania do Brasil.

Desenvolvida com tecnologia de alta pressão de injeção de diesel, a nova motorização é também mais silenciosa que a versão atual, em razão da combustão mais eficiente capaz de aumentar a potência e o torque, sem exceder as emissões e o consumo de combustível. De acordo com a engenharia da Scania, esse novo propulsor de 13 litros atinge potência máxima de 1.900rpm, com torque de 2.350Nm disponível entre 1.000 e 1.300rpm. A matéria prima utilizada na construção dos novos motores (composto compactado de ferro e grafite) duplicou a resistência à fadiga e o aumento da pressão dentro do cilindro, sem aumentar o peso de toda unidade.

A princípio, as duas novas potências chegam para complementar a atual linha, mas é provável que em determinado momento o transportador optará pela versão de 450cv, se ele enxergar e comprovar as vantagens prometidas. O modelo, assim como o de 510cv, está à venda desde outubro de 2017 (João Geraldo).