Os motoristas de caminhão, principais usuários da rodovia Régis Bittencourt – e profundos conhecedores dos problemas na pista que corta a Serra do Cafezal – têm opinião unânime de que a duplicação trouxe melhorias para todos no trecho. Reduziu o tempo de viagem e aumentou a segurança tanto em relação a acidentes de trânsito quanto à ação de ladrões que se aproveitavam da precariedade da estrada para agir.

“Menos estresse e redução do número de acidentes e do risco de assalto”, afirmou o carreteiro Antônio Francisco, 34 anos de idade e 10 de profissão. Ele lembra que o trecho não oferecia sequer acostamento e qualquer deslize do motorista poderia provocar um acidente grave ou até mesmo uma fatalidade.

O trecho da Serra do Cafezal não tinha sequer acostamento, qualquer deslize do motorista poderia provocar um acidente grave ou fatal, comentou Antonio Francisco

Francisco disse antes da duplicação, o trecho de serra era muito perigoso, principalmente nos períodos de muita chuva. Ele explicou que a pista era estreita, se nas curvas o motorista perdesse o controle do veículo caia direto no meio da mata. Outro ponto destacado pelo carreteiro são os assaltos, pois conforme explicou, a região é alvo dos bandidos por conta do trânsito intenso.

“Acredito que o fluxo vai melhorar com a duplicação e assim inibir as ações de roubo. Além disso, podemos programar melhor as entregas”, disse, acrescentando que por várias vezes perdeu agendamento nas empresas e teve de esperar até o outro dia para carregar ou descarregar e arcar com todos os custos.

Ele cita também outros pontos co­mo o alto consumo de combustível e o desgaste dos freios em razão do “an­da e para” nos congestionamentos.

“Cheguei a levar mais de cinco horas para descer o trecho de serra. Por isso, a duplicação veio em boa hora. Tem opinião de que o trânsito vai fluir mais e a tendência é reduzir os assaltos e acidentes na região.

Com 44 anos de idade e 25 de estrada, o carreteiro Claudiomiro Rovares, de Turvo/SC, disse que não esperava viver para ver a duplicação da Régis Bittencourt. Ele transporta arroz na rota Sul -São Paulo e afirmou que já viu muitos acidentes nesse trecho da rodovia, mas garante que nunca esteve envolvido. “O percurso sempre foi muito difícil, com pista única, cheia de buracos, para subir e descer. “Já demorei mais de seis horas para descer a serra. Um desgaste enorme tanto para o motorista quanto para o caminhão”, reforçou.

Claudiomiro Rovares disse que já viu muitos acidentes no trecho da Serra do Cafezal e que não tinha esperança de viver para vê-lo duplicado

Para Claudiomiro é raro um motorista que trafega com frequência pelo trecho da serra nunca ter visto um acidente ou assalto. Ele conta que numa das viagens presenciou um roubo seguido de morte. Acrescentou que é comum ver caminhão capotado e espera que isso acabe. “Quantos motoristas eu vi perder o controle do veículo, provocar acidente e travar a estrada”, lembrou.

Porém, com a duplicação do trecho de serra, o carreteiro tem expectativa de que todos esses problemas enfrentados pelos motoristas há anos terminem. Acrescenta que já conseguiu sentir o benefício da duplicação ao reduzir em quase seis horas um percurso de 960 quilômetros, entre São Paulo e Turvo. “Agora está ótimo, não posso mais reclamar. Já economizei seis horas de viagem de São Paulo a Turvo”. Em sua opinião, a obra não é boa apenas para o carreteiro, mas para o País, porque vai deixar de arcar com custos de acidentes. “A viagem agora é sem estresse. Estou muito feliz”, declarou.

Outro motorista que também esperou mais de 20 anos pela duplicação é Elton Trindade, 42 anos de idade, gaúcho de Santo Ângelo. Ele conta que passou muitas dificuldades nesse trecho, o qual ele via como um dos principais gargalos da rodovia. Para ele, com o aumento da frota a duplicação se fez ainda mais necessária para dar mais fluidez ao tráfego.

Com o aumento da frota de caminhões, a duplicação se tornou mais necessária para a fluidez do trânsito, destacou
o carreteiro Elton Trindade

Disse que assaltos, acidentes fatais e esperas de mais de cinco horas parado por bloqueio das pistas fazia parte da rotina dos motoristas que utilizam a Régis Bittencourt. “O título de Rodovia da Morte era perfeito para o trecho”, afirmou. Lembra que certa vez, no sentido São Paulo – Curitiba, um caminhão que transportava um contêiner perdeu o controle ao fazer uma curva e o contêiner caiu sobre um automóvel.

Assim como os demais colegas, Trindade afirma que também enfrentou muitas horas parado na Serra do Cafezal. Comenta que além de atrasar a carga e descarga, esta situação desgastava demais o caminhão. Porém, destacou que mesmo após a duplicação, ainda há restrições para a subida da serra, pois os trechos da pista antiga foram mantidos no mesmo estado de má conservação. Além disso, adiciona, “faltam ainda pontos de parada entre São Paulo e Curitiba”, principalmente. O carreteiro comenta ainda que comparando com as situações que enfrentou nos últimos anos ele não pode mais reclamar, pois percorreu todo o trecho de serra em 45 minutos.

O carreteiro Mauricio Batista Liçarasa, 37 anos e 12 de profissão, de Ijuí/RS, que também viaja na rota do Mercosul, contou que não esperava poder trafegar na Régis Bittencourt totalmente duplicada. Admitiu que pensava que seria mais uma obra que ficaria apenas no papel. “ A Serra do Cafezal foi sempre um problema para os motoristas. Um trecho que frequentemente nos surpreendia com algum acidente ou problema mecânico que provocava horas de congestionamento e aumentava o risco de sermos assaltados”, comentou.

Satisfeito com a duplicação, Mauricio Batista achava que a obra era apenas mais uma daquelas que nunca saem do papel

Ele também tem opinião de que a duplicação da serra vai facilitar o trabalho dos motoristas e aumentar a rentabilidade de todos que utilizam o trecho. Como outros colegas de profissão, ele questiona a falta de ponto de parada para o pernoite, mas tem a certeza de que com esse primeiro passo os benefícios serão imensos. “Esperamos muito por essa obra e deu para perceber o quanto o meu trabalho ficou mais rápido e menos estressante”, afirmou.

Roberto Oliveira dos Santos, de São Luiz Gonzaga/RS, 36 anos de idade e 18 de profissão, transporta diferentes tipos de cargas na região do Mercosul e sempre utilizou bastante a rodovia. Sua principal reivindicação era a duplicação da Serra do Cafezal. “Todo motorista que pega esse trecho já enfrentou algum tipo de problema. A falta de acostamento para manutenção rápida no veículo, ou até mesmo para limpar a pista no caso de um acidente, contribuía para os frequentes congestionamentos no local. Era muito estresse. Quantas vezes fiquei parado mais de cinco horas e via famílias com crianças pequenas sofrendo. Um horror”, lembrou.

Roberto Oliveira lembra que todo motorista que passa pelo trecho já enfrentou algum tipo de problema. No seu caso, muitos congestionamentos

Para ele, o fim das obras na rodovia e a entrega da pista duplicada na serra vão diminuir boa parte dos problemas enfrentados por aqueles que utilizam com frequência a Régis Bittencourt e trazer mais fluidez ao tráfego. Maurício Batista alerta que os acidentes só vão diminuir com mais consciência e responsabilidade dos motoristas. “90% dos acidentes são por falha humana e excesso de confiança do condutor. A pista pode estar boa e as condições também, mas se o comportamento não mudar os acidentes vão continuar acontecendo”, alertou.

Novo na profissão, Eduardo Miguel disse que imagina as dificuldades vividas pelos carreteiros veteranos antes do trecho de serra ser duplicado

Com apenas oito meses de estrada, Eduardo Miguel Vaz dos Santos, 23 anos de idade, de São Borja/RS, que também faz rota internacional, disse que apesar de ter utilizado por pouco tempo a rodovia o trecho da Serra do Cafezal com pista simples, foi o suficiente para perceber as dificuldades que os veteranos enfrentaram durante muitos anos. “Desgaste do veículo, alto consumo de combustível, risco de acidente e assalto são apenas alguns dos problemas que percebi durante oito meses nesse trecho”, reconheceu. Miguel Vaz acrescentou que é nítida e melhora, pois o trânsito flui melhor e desgasta menos o caminhão e beneficia a todos.

É nisso que também acredita o presidente do Setcesp, Tayguara Helou. Ele reforça que qualquer mudança na infraestrutura é positiva para todos os agentes envolvidos no transporte. “Durante anos, a Régis Bittencourt dificultou o escoamento de mercadorias no eixo Sul e Sudeste do País. Os motoristas enfrentavam horas de congestionamento, provocando atrasos nas entregas e aumento de custos com combustível, cargas roubadas e acidentes”, comentou.

Durante anos, a Régis Bittencourt dificultava o fluxo de mercadorias no eixo Sul-Sudeste, destacou Tayguara Helou, do Setcesp

Tayguara Helou acrescentou que a duplicação vai trazer melhorias para o País, aumentar a produtividade e a segurança viária e pública. “Prova disso é que entre Natal e Ano Novo deste ano houve uma redução de 83% no número de acidentes em relação ao mesmo período do ano passado. Essa obra entregue vai trazer vantagens para todos que participam da cadeia de transporte”, finalizou.