A evolução tecnológica tem uma enorme participação no transporte rodoviário de cargas, com caminhões cada vez mais modernos, econômicos, confortáveis e equipamentos que até pouco tempo atrás nem mesmo eram imaginados pelos estradeiros. Com isso, as comunicações também evoluíram de tal forma que hoje os prosaicos rádios PXs são considerados quase como peças de museu; porque o pessoal do trecho aderiu, de forma massiva, ao smartphone, com o qual se comunicam com a família, com a empresa e, claro, na busca e negociação sobre os melhores fretes disponíveis nas rotas mais distantes.

Agenciadores de cargas passaram a operar online, facilitando a vida dos carreteiros e das transportadoras, evitando uma eventual perda de tempo nas visitas a agências físicas ou então enfrentar longas negociações e esperas. Muitos estradeiros até admitem que recorreram aos filhos ou aos colegas para uma “ajudinha”, mas o certo é que hoje, na estrada, a conectividade via redes sociais é um fato consumado, agilizando negócios, contatos e, evidentemente, proporcionando economia. Tanto que um carreteiro brinca, lembrando como era a vida antes dos smartphones e do WhatsApp.

A utilização de aplicativos para a contratação de fretes torna tudo mais rápido e econômico, diz o carreteiro Cristiano Rosa dos Santos, que faz a rota internacional

A utilização de aplicativos para a contratação de fretes torna tudo mais rápido e econômico, diz o carreteiro Cristiano Rosa dos Santos, que faz a rota internacional

Na opinião do motorista Cristiano da Rosa Santos, 39 anos de idade e 21 de profissão, a utilização de aplicativos para contratação de fretes torna tudo mais rápido e econômico. Ele é dono de dois caminhões e viaja entre Brasil, Argentina e Chile, fazendo uma rota de aproximadamente oito mil quilômetros. Trabalha com um motorista que dirige o segundo caminhão e sempre que possível procura carga para os dois, no mesmo itinerário. Conta que no Brasil sempre recorre a agências de cargas virtuais ou grupos no WhatsApp especializados na oferta ou procura de fretes. Considera esses grupos de extrema utilidade, lembrando que no “começo a coisa era meio bagunçada”, mas que aos poucos está se profissionalizando.

Leandro Dorneles diz que ficou conhecendo o WhatsApp mais para a formação de grupo há pouco mais de um ano e se tornou grande usuário dessa ferramenta

Leandro Dorneles diz que ficou conhecendo o WhatsApp mais para a formação de grupo há pouco mais de um ano e se tornou grande usuário dessa ferramenta

Leandro Dorneles tem 39 anos de idade e atua há 23 anos no setor de transportes de cargas. É dono da RM Logística Ltda., com sede em Uruguaiana/RS, e trabalha no transporte internacional com dois caminhões próprios e cerca de 40 agregados “por uma questão de praticidade e economia”. Conta que há pouco mais de um ano ficou conhecendo a utilização do WhatsApp para a formação de grupos específicos para o setor de transportes de cargas, através do amigo Cléber Scolari. Lembra que desde então tornou-se um grande admirador dessa ferramenta.

Hoje ele mantém quatro grupos dirigidos para cada tipo de carga, veículo ou destino. No total reúne cerca de 500 seguidores e sempre com ótimos resultados para todos, facilitando os contatos entre o carreteiro e as transportadoras, a negociação dos valores dos fretes, adiantamentos, tudo online e de forma muito rápida, explica. Recorda que nas duas vezes em que o aplicativo esteve fora do ar foi um verdadeiro caos para os negócios, de tão grande que é a dependência desse sistema.

Dorneles salienta que no início alguns estradeiros relutavam em comprar um aparelho mais moderno para fazer parte dos grupos. “Hoje, no entanto, a coisa se disseminou e todos estão usando, até mesmo as pessoas de mais idade e mais resistentes às novas tecnologias”, diz. Ele acrescenta que tudo é feito com muita rapidez e economia, envio de fotos, cópia de documentos e detalhes sobre a viagem. “Uma ferramenta muito importante”, garante.

Quando precisa procurar frete, Pablo Machado recorre a agenciadores conhecidos, porque prefere fazer a negociação pessoalmente

Quando precisa procurar frete, Pablo Machado recorre a agenciadores conhecidos, porque prefere fazer a negociação pessoalmente

O carreteiro Pablo Machado, 33 anos de idade e seis anos de volante, natural de Santo Ângelo/RS, dirige um caminhão na rota entre São Paulo e Chile, com carga certa para a mesma transportadora. Porém, quando precisa procurar frete, prefere recorrer a agenciadores conhecidos. Evita as agências online porque – segundo afirma – acabam sendo redirecionados para agências físicas ou para intermediários que acabam ficando com boa parte da comissão. Diz que é muita exploração, preferindo fazer as negociações pessoalmente.

Sandro do Prado Candia, da Transmathias, diz que nas agências físicas existe mais possibilidade de negociação, mas admite que as ferramentas online são muito úteis

Sandro do Prado Candia, da Transmathias, diz que nas agências físicas existe mais possibilidade de negociação, mas admite que as ferramentas online são muito úteis

Agências virtuais, físicas ou grupos têm os dois lados: o bom e o ruim, afirma Sandro do Prado Candia, 47 anos de idade e 20 anos no setor de transportes. Ele trabalha na Transmathias Transportes, de Uruguaiana/RS, e é membro de uma agência online, pagando um valor anual para anunciar a oferta ou procura de cargas. Também faz parte de grupos via WhatsApp. Apesar de gostar de todos, acredita que na agência física exista mais possibilidades de barganha, de negociação de valores, enquanto na agência virtual ou nos grupos os valores estão quase sempre fechados, dificultando a negociação. Destaca que são ferramentas muito úteis e com o tempo serão cada vez mais aperfeiçoadas.

Na opinião do autônomo Edenilson Conti, o ideal é negociar direto com as empresas, porque os agenciadores se tornam sócios do frete

Na opinião do autônomo Edenilson Conti, o ideal é negociar direto com as empresas, porque os agenciadores se tornam sócios do frete

O autônomo Edenilson Conti tem 50 anos de idade, 15 anos de profissão, trabalha no transporte nacional de internacional, “ou para onde o frete for melhor”, como costuma dizer. Explica que prefere negociar direto com as empresas porque os agenciadores se tornam sócios do frete. “Só em último caso”, afirma. Também não gosta de agências virtuais, prefere os grupos – está cadastrado em dois ou três – onde tudo funciona mais rápido e não tem despesa.

Conti revela que no início ficou meio relutante em “adotar a nova tecnologia do smartphone,” porém com a ajuda do filho e de amigos foi se interessando. Ao final, ele próprio instalou o aplicativo e começou a usar. Hoje faz contatos para contratação de fretes através de grupos, fala com a empresa, envia fotos, documentos, fala com a família. Tudo de graça. E até aproveita para ensinar alguns colegas a fazer ligações ou utilizar o WhatsApp, Skype ou outros aplicativos em viagens internacionais. Lamenta que as conexões sejam tão ruins no Brasil. “Na Argentina e Chile é uma beleza, até nas Cordilheiras pode-se conectar”, afirma.

por Evilazio de Oliveira