A maioria dos ministérios do governo Luiz Inácio Lula da Silva não está gastando os recursos disponíveis. Dos R$ 47,9 bilhões liberados para serem usados durante o ano, em investimentos e manutenção da máquina administrativa, apenas 25,1% foram efetivamente usados até 20 de maio. Excluindo o Ministério da Saúde, único a utilizar no primeiro quadrimestre seu limite de gasto, de R$ 8 bilhões, todos os outros estão lentos. Até mesmo os Ministérios de Transportes e da Integração Nacional, os que mais se queixam do bloqueio de verbas, apresentam um baixo índice de aproveitamento de recursos. A pasta dos Transportes, por exemplo, reservou para pagamentos 20,7% do R$ 1,39 bilhão livre a que tem direito, mas só executou 5,3%, enquanto que a Integração Nacional empenhou 12,2% e executou 8,2%. O Ministério das Cidades, por sua vez, que teve o orçamento reduzido de R$ 2,2 bilhões para R$ 326 milhões, também está lento: empenhou 27% (R$ 88,1 milhões) e gastou 17,1% (R$ 55,6 milhões). Essa economia voluntária dos ministérios ajuda a explicar o superávit primário recorde que o governo central atingiu no primeiro quadrimestre. Foram R$ 24,9 bilhões de economia, dos quais R$ 3,2 bilhões por decisão própria dos ministérios.