Por João Geraldo

A partir de 01 de janeiro de 2009, a Volkswagen Caminhões e Ônibus, único braço da montadora alemã que produz caminhões e ônibus no mundo, passará a ser controlada pelo grupo MAN AG, também alemão, com 250 anos de existência e atuação nos segmentos de caminhões, ônibus, motores diesel em geral (inclusive para navios), entre outras atividades. O anúncio, feito nesta segunda-feira (15 de dezembro), dá conta ainda de que a VWCO foi adquirida pelo preço de um bilhão setecentos e cinqüenta milhões de Euros, pagos em dinheiro, conforme disse o presidente da MAN, Hakan Samuelsson, que veio ao Brasil exclusivamente por causa do negócio.

O objetivo da MAN, que distribui seus produtos em 130 países, é ampliar os negócios envolvendo veículos de cargas e de passageiros. Seus planos para o Brasil são, inicialmente, lançar e popularizar a marca no País, a qual já é conhecida por muitos transportadores rodoviários de carga. Os produtos serão comercializados na mesma rede Volkswagen já existente. “A intenção é lançar a marca no Brasil e poderemos compensar a vinda de produtos com nossas exportações, mas ainda vamos analisar como será o futuro em certos aspectos”, disse o presidente da VWCO, Roberto Cortês, que continuará a presidir a empresa juntamente com sua equipe, conforme foi confirmado por Hakan Samuelsson.

O fato é que a partir de 2009 a marca MAN começa a aparecer com maior freqüência nas ruas e estradas brasileiras, como já acontece em outros países da América do Sul, mas restam ainda muitos detalhes a serem definidos. Neste primeiro momento, o que pode se dar como certo é de que os caminhões da MAN vão complementar a linha da Volkswagen. Por conta disso, o primeiro modelo a entrar em cena deve ser um extrapesado na faixa de 420cv de potência.

“A MAN pode oferecer vários produtos e tornar maior a abrangência da Volkswagen, mas isso tudo ainda será analisado”, disse o dirigente da montadora européia.  Samuelsson acrescentou que está entrando no Brasil, porque aqui é um mercado de futuro a médio e longo prazos. Admitiu também que em 2009 haverá um impacto nos mercados em decorrência da crise, porém não associou a compra da Volkswagen com a situação mundial. “Esta aquisição vem sendo discutida há meses, e finalmente chegamos a um preço justo, mas gostaríamos de ter feito o negócio o quanto antes”, disse.

O dirigente comentou também que a Volkswagen Caminhões e Ônibus dará à MAN acesso a mercados latino-americano, além da liderança brasileira em vendas de caminhões. Além disso, vemos um potencial considerável de sinergia para a fabricação e venda de produtos, pois contaremos com uma ampla rede de concessionários no Brasil”, finalizou Samuelsson.

Outro ponto citado durante o anúncio da aquisição é que o consórcio modular continuará em operação na fábrica de Resende/RJ. Quanto ao fornecimento de motores, eixos e outros componentes da própria marca MAN para os veículos Volkswagen pouco se falou, mas ninguém descarta a possibilidade de a empresa ocupar maior espaço possível com produtos de sua marca.  Quanto à Scania, Hakan Samuelsson lembrou que nada tem a ver com a aquisição da VWCO, pois esta continua a ter participação da Volkswagen AG.