Aconteceu um caso muito curioso na história do turbinamento do motor do 1924 (que deu no 1924-A). Ao contrário do que normalmente acontece, o turbinamento desse motor OM-355/6 foi desenvolvido pela engenharia da Mercedes-Benz brasileira e só depois de algum tempo passou a ser utilizado também para os caminhões fabricados na própria Alemanha.

Quando a Mercedes da Alemanha descobriu que a brasileira estava experimentando colocar turbina no motor do 1924, torceu um pouco o nariz. Os alemães de lá pensaram que o consumo de diesel do bruto podia subir um pouco por causa da turbina. Com a ordem geral na Mercedes é fabricar caminhões econômicos, surgiu essa dúvida. Mas, depois que a engenharia da Alemanha viu os resultados obtidos com o motor turbinado, resolveu importar a ideia, e quem marcou um gol bonito foi a engenharia brasileira.

A Força do Bruto

É fácil de entender por que o motor OM-355/6 com turbina deixa o 1924-A bem mais potente que o seu irmão 1924. O 1924-A tem 285 cv (norma DIN) de potência, enquanto o 1924 alcança 240 cv. Com essa potência maior o 1924-A ganhou mais força máxima: ele tem torque de 108 mkgf a 1400 rpm (DIN) e o 1924 tem 84 na mesma rotação. No final das contas, ele é um caminhão com mais força, mas que tem a mesma velocidade máxima do seu irmão: 85km/h em 8ª marcha com 2200 rotações de giro. Mas, ao mesmo tempo, o torque maior do 1924-A faz dele um caminhão mais ágil nas subidas de serra e topes brabos. Isso evita trocas de marchas seguidas e proporciona maior economia de combustível.

Os freios do bruto

No teste de freios, o 1924-A não soltou fumaça de pneu, mesmo nas frenagens fortes. Isso acontece porque o caminhão é dotado de uma válvula especial, que evita o travamento das rodas compensando a pressão de frenagens entre elas. Na frenagem, quando uma das rodas começa a bloquear , a válvula transfere o excesso de pressão dessa roda para as outras.

Assim, as frenagens do 1924-A foram bem suaves e quase não se percebia que o caminhão estava parado. Como vocês sabem , no teste dos freios, nós freamos como se estivesse acontecendo um estado de emergência. O caminhão vem, por exemplo, a 80km/h e, num determinado ponto, ele é freado quando ainda está com essa velocidade, e de uma só vez . Ai mede-se a distância percorrida pelo bruto do instante que o motorista meteu o pé no freio até o momento da parada final. Os freios do 1924-A mostraram-se tão bons que nós resolvemos frear , só por curiosidade, até a velocidade de 95 km/h sem nada de anormal acontecesse.

Obras no percurso

Durante o teste de “Consumo de combustível” (viagem) o 1924-A rodou com a gente pelo percurso padrão (São Bernardo/Peruíbe/BR-116 até Registro e volta até São Bernardo). Mas, ele enfrentou um pequeno trecho de obras na BR-116: 7km de recapeamento de pistas com trânsito por uma faixa apenas. Isso pode ter aumentado levemente no consumo obtido no trecho 2 a 4, mas não muito.

De resto a viagem foi tranquila e até engraçada em certos trechos. Quando ultrapassamos uma bruta carreta, de marca diferente, na serra da Banana, que alguns conhecem pelo nome de “Cafezal” – entre Juquiá e Jacupiranga na BR-116 – o caminhoneiro da carreta ficou brabo e, durante a ultrapassagem, mostrava a nota fiscal e gritava que estava com 50 toneladas brutas para explicar a desvantagem. Mais tarde ele encontrou a gente num restaurante de beira de estrada e veio conversar.

O erro do velocímetro

A partir desse teste nós publicaremos apenas o erro encontrado no velocímetro do caminhão na velocidade de 80km/h, que é a máxima permitida por lei. Isso porque todos sabem que um velocímetro de qualidade – bem fabricado – pode ter erros de marcação muito baixos: aproximadamente 1,25% a 30km/h e, no máximo, 2,5 a 120 km/h, para mais ou para menos. Sendo assim nós resolvemos fazer a aferição do velocímetro em apenas uma velocidade, e escolhemos a que mais interessa aos  do, por causa dos radares e cronômetros que andam por aí. Você deve prestar atenção, também, para ver se o caminhão está equipado com a mesma marca de velocímetro do caminhão testado por nós. (veja o quadro erro do velocímetro)

O consumo do 1924-A

De maneira geral todo o teste de consumo de combustível foi feito com o 1924-A enfrentando trânsito leve, em dia não muito quente (nublado, às vezes). Foi apenas no trecho da BR-116 entre Biguá e Registro que o 1924-A enfrentou obras de recapeamento numa extensão de 7km, mas isso não chegou a interferir muito no resultado final. Você pode ver na tabela acima a média de cada trecho do teste calculada separadamente e o resultado final no quadro Consumo Total.

  • SYLVESTER STALLONGE

    Época boa… não era nem nascido nessa época, mas meu tio era e disse que era a melhor época para o caminhoneiro.