Alguns anos atrás, houve quem pensou que assim como na Europa, os freios a disco se tornariam tendência por aqui.

A Mercedes-Benz foi uma fabricante que apostou nisso, e chegou a introduzir o item como série nos seus veículos comerciais.

Contudo, devido à péssima situação das rodovias, sobretudo, mais ao norte e nordeste do país, os freios a tambor são presença maciça nos veículos de carga. Esse modesto componente do conjunto de freios é responsável por provocar atrito entre a guarnição do tambor e as lonas de freios e, consequentemente, frear o veículo.

Porém, sua função não é tão simples como parece. O tambor precisa frear com eficácia caminhões que chegam a transportar mais de 50 toneladas de carga.

Além disso, esse componente tem de dissipar o calor gerado pelo seu próprio atrito com as lonas durante a frenagem, ou seja, necessita de um material de fabricação específico para essa função. Portanto, o consumidor precisa estar atento ao tipo de tambor que está consumindo e de preferência conhecer bem o seu fabricante e a sua produção, já que são os mínimos detalhes que diferenciam as diversas opções existentes no mercado de reposição.

A forma em que o tambor de freio é produzido, dá todo o diferencial ao componente.  Não existe fórmula mágica para a produção de um tambor de freio. Geralmente, o material usado pelas fabricantes é o mesmo, o que as diferencia são as linhas de produção, isso é, a forma como é fabricado, que pode deixar o tambor mais denso ou mais disperso. Neste caso, para uma aplicação eficiente, quanto mais denso, melhor.

Contudo, o consumidor não consegue diferenciar a olho nu a consistência do material de composição do tambor. Por isso, é importante conhecer bem as fabricantes da peça.

O tambor de freio está entre os itens mais substituídos dos veículos comerciais. Com isso, a solução encontrada pelos transportadores para evitar os custos de manutenção é retificá-lo. Não há objeção quanto a essa alternativa para explorar um pouco mais o uso do tambor, no entanto, existem alguns limites a serem respeitados. Esse componente pode ser retificado até mais de uma vez, porém, é preciso respeitar a indicação da espessura mínima a que o tambor pode ser submetido. Essa indicação é feita pelo fabricante do componente ou do veículo. A retificação ou substituição do tambor precisa ser feita sempre que a peça apresentar trincas, ranhuras ou ovalação e obrigatoriamente nos dois tambores do mesmo eixo, para evitar frenagem desigual e vibrações no veículo. Além disso, é recomendável que as lonas também sejam substituídas, para evitar desgastes irregulares.

Por outro lado, antes da retificação o operador pode evitar o desgaste precoce da peça tomando algumas medidas simples. Uma delas seria traçar uma rota em que o caminhão não passasse por estradas ruins, mas como isso é praticamente impossível no Brasil, há outras medidas que podem minimizar o problema como não trafegar com sobrecarga ou dirigir de maneira agressiva – sem utilizar mais vezes o freio sem necessidade. Em situações como essa, o tambor chega a durar até metade de sua vida útil normal.

Se o condutor dirige usando muitas vezes o freio de forma desnecessária, isso pode provoca o superaquecimento do conjunto; o tambor é preparado para suportar de 260 e 420 °C, acima disso, pode haver perda de cerca de 50% de eficiência na frenagem e em casos extremos, até mesmo a fundição entre o tambor e outros itens do conjunto de freios.

Outra dica é adotar o freio-motor e dependendo da operação, o retarder.

Os cuidados extras, mesmo com um ritmo considerável de trabalho, o tambor pode durar muito mais que 50 000 km em veículos de circulação rodoviária e 80 000 km em veículos de circulação urbana.

Tome nota

 1º) Manutenção:

  • Os tambores de freios devem ser verificados a cada 5 000 km.
  • As lonas têm de ser substituídas junto com os tambores, para evitar que risquem o tambor novo ou retificado.
  • As empresas que possuem oficina própria devem tomar cuidado com a estocagem dos tambores. O ideal é que sejam colocados boca com boca ou furos com furos. Um tambor jamais deve ser colocado dentro de outro, pois o lado interno do componente entra em contato com as lonas e não pode sofrer degradações.

2º) Condução:

  • Utilize freio-motor ou retardadores para auxiliar na frenagem do veículo e não sobrecarregar os tambores de freios.
  • Em declives, mantenha o veículo sempre com a marcha engatada, por que isso também alivia sobrecarga nos tambores.
  • Mantenha distância do veículo à frente, para evitar freadas bruscas.

3º) Identificar problemas:

  • Observe se, quando o pedal de freio é acionado, o veículo demora a parar completamente.
  • Mantenha a atenção redobrada no pedal de freio. Ele pode apresentar sinais relevantes de problemas nos tambores por meio de vibrações, pulsações ou elasticidade.
  • Calor excessivo próximo às rodas
  • Ruídos diferenciados