Impulsionado em sua maior parte pelo transporte de grãos, o segmento de caminhões pesados é caracterizado por veículos com grande capacidade de carga, altas potências, torque, transmissão automatizada, tecnologia embarcada e conforto.

Trata-se de um mercado cobiçado pelas montadoras porque é nele que se concentram os modelos que geralmente cobrem grandes distâncias rodoviárias entre as regiões de produção de grãos e os diferentes destinos, com destaque aos portos. Itens como altura da cabine e relação de marchas, entre e outras características técnicas, são pontos levados em conta para se obter boa velocidade média agregada à economia de combustível. Nesta matéria relacionamos as sete marcas (DAF, Ford, Iveco, MAN, Mercedes-Benz, Volkswagen e Volvo) que disponibilizam produtos para essa aplicação, na qual transmissão automatizada, ar-condicionado, cabine espaçosa e sistemas de segurança são itens de série

A potência é sempre um importante diferencial para quem vai transportar toneladas de cargas em grandes composições, sendo os rodotrens e bitrens (conjuntos de nove e sete eixos, respectivamente) as mais comuns no transporte de grãos. A recomendação do gerente de engenharia de vendas da Volvo, Álvaro Menoncin é o cavalo mecânico FH 540 6X4. Ele explicou que se trata de um modelo para atender grandes demandas de carga, graças à velocidade média. “ Seu motor de 540cv de potência e torque de 265 mkgf entre 1.050 e 1.450 rpm é capaz de rodar em alta velocidade num regime de baixa rotação”, acrescentou.

O preço de R$ 473.374,00 é convidativo quando comparado ao do modelo FH 460, também 6X4, de R$ 463.083,00. Além da estratégia de preço para promover o modelo de maior potência, a Volvo chama a atenção para uma nova era no pós-venda do caminhão, que opera por acesso remoto. Em outras palavras, o motorista recebe alerta da fábrica informando que está na hora de parar o veículo para a revisão, dando tempo para se programar e fazer a parada na concessionária mais próxima de onde estiver o caminhão.

Volvo FH 540 disponibiliza radar frontal para evitar colisões e outros dispositivos de segurança

De acordo com Menoncin, o transportador de grãos tem se interessado também por itens de segurança ativa, como o Airbag, dispositivo que segundo ele está presente em 80% dos modelos FH que saem de fábrica. Além disso, a Volvo também monta pacotes de segurança específicos para cada perfil de operação. No caso do operador de grãos, um item recomendado é o radar frontal, que ajuda a reduzir colisões ocasionadas por distração ou cansaço, uma vez que as vias são longas e planas.  Outro sistema que agrega segurança ao veículo, conforme explicou o engenheiro, é controle eletrônico de estabilidade (ESP), porque os caminhões indicados para o transporte de grãos têm uma dinâmica veicular diferente”, acrescentou.

Menoncin lembrou ainda que a relação do eixo traseiro é mandatória, pois é ela que define o nível do consumo de combustível.  Diz que a mais comum na Volvo é a 3,09:1, mais longa, sem redutor nos cubos de roda. “Contudo, se o cliente opera em uma topografia extremamente acidentada, com muita subida de serra, no caso de PBTC de 74 toneladas é mandatória a redução nos cubos”, salienta.

Para esse tipo de operação um trem de força bem ajustado ganha importância, conforme lembra o diretor de vendas da DAF Caminhões, Antenor Frasson Junior, recomenda o XF 105 510 6×4. Ele também concorda que a velocidade média é um importante atributo para a aplicação, mas frisa que o torque é ainda mais necessário. Ele explica que o DAF de 510cv tem torque de 254,9 mkgf na faixa de 1.050 a 1.410 rpm, tratando-se do principal atributo do modelo. Esse motor gira em baixa rotação permitindo maior elasticidade e força para arrancar e vencer aclives, mesmo com 74 toneladas de PBTC. “100% do torque já são entregues desde a primeira marcha, e a caixa ZF AS-Tronic de 12 velocidades de série já preparada para suportar demandas da operação com grãos”, complementou Frasson.

Motor com 510cv de baixa rotação e torque alto são itens de destaque no pesado XF 105 510 da DAF

A relação de diferencial oferecida pela DAF para a atividade é a 3,07:1 mais longa, disponibilizada também na versão 3,42:1 (mais curta) para atender operações em que a velocidade é controlada por influência do embarcador. Essa relação é adequada também para operações em topografias com muitos aclives. Nesses casos, a empresa recomenda também o eixo sem redutor nos cubos, duas opções de entre-eixos: de 3.500 mm (a mais usual para comportar tanques de combustível de maior litragem, que juntos totalizam 720 litros) e de 3.300 mm. Outro ponto é a suspensão metálica, a mais usada em todos os caminhões desta reportagem. Um caso ou outro que não envolve a operação no Centro-Oeste, poderá usar a pneumática. Mas isso é raro, porque a atividade acontece em fazendas ou regiões carentes de boas rodovias.

A Mercedes-Benz, por sua vez, recomenda o cavalo mecânico o Actros 2651 S com suspensão metálica. Marcos Andrade, gerente de produtos caminhão marca no Brasil, explica que é o modelo mais adequado por se tratar de uma atividade em que se viaja mais de 2.000 km. A operação exige também tanque de combustível de grande capacidade para que haja boa autonomia. No caso do Actros é de 1.080 litros e entre-eixos 3.600 mm.

Mercedes-Benz Actros 2651 tem motor de 510cv e caixa de câmbio com 12 marchas com sensor de inclinação

Outro item destacado por Andrade é a cabine, que tem de oferecer conforto para o motorista. “Nesse segmento, a cabine é vista como a casa do carreteiro. Por isso recomendamos a versão Mega Space, confortável, grande, completa e com o diferencial do piso plano”, acrescentou. Nesse segmento é mais comum a cabine leito teto baixo, no entanto o transportador leva em consideração o valor de revenda da versão com teto alto.

O Actros é tracionado pelo motor MB OM-460 de 510 cv e torque de 244,7 mkgf a 1.100 rpm. Esse propulsor opera combinado à transmissão PowerShift de 12 marchas automatizada. Andrade diz que nessa atividade 12 velocidades são adequadas, uma vez que a eletrônica faz toda a diferença. “Estamos usando a G-330 de 12 velocidades há alguns anos porque entendemos que ela é suficiente, porque temos um sensor de inclinação cada vez mais apurado e capaz de acertar a marcha sem deixar margem para erro. Com isso temos uma caixa mais leve e com menos componentes. Um exemplo de que a eletrônica conseguiu reduzir uma necessidade mecânica”, explicou.

A relação de diferencial entregue pela marca é a i=3,91:1, que atende 90% das operações – por ser mais flexível, já que prioriza boa velocidade em terreno plano como também quem trafega eventualmente em velocidades menores e em estradas mais acidentadas.  No passado a MB para esse segmento vendia o Actros com eixo com redutor nos cubos, porque naquele período entendia que robustez era fundamental. Mas essa prática não pegou bem porque os custos com combustível ficaram mais elevados e o transportador desse segmento faz contas.  A resposta do mercado levou a engenharia da Mercedes a desenvolver o eixo HL6 HD6 robusto, porém, sem redutor, que atendeu à expectativa do cliente. O freio a tambor é parte dos itens entregues de série no Actros.

Velocidade X Economia são pontos destacados pela fábrica no caminhão pesado mais vendido no País, o Scania R-440. Porém, vale destacar que atualmente a engenharia da marca sueca recomenda o R-450 para o transporte de grãos, por entender que seja o suficiente para suportar a operação. Além dos 10cv a mais de potência frente ao R 440, com um novo e mais moderno sistema de alta pressão com múltiplos pontos de injeção de diesel seu torque atinge 240 mkgf na faixa de 1.000 a 1.300 rpm.

Scania R-450, com novo motor, é o mais recente caminhão da marca para o transporte de longa distância

O sistema do motor de 440cv faz uma única injeção dentro da camisa, enquanto essa nova tecnologia faz múltiplos pontos de injeção dentro da camisa do motor e calcula o quanto deve ser injetado. Com isso, calcula-se que o motor de 450cv seja 5% mais econômico no consumo de diesel em relação ao motor do R 440 dentro de uma operação de grãos. “Como há vários momentos da injeção, o nível de ruído e de vibrações do motor também é bastante menor”, comentou Alexandre Silva, engenheiro de pré-venda da Scania no Brasil. A Scania tem também a versão R-510 com esse novo motor.

Mas o que a Scania comemora em seus novos modelos (R-450 e R-510) é que as tecnologias incrementadas resultaram caminhões mais leves. Para atender a demanda do calor e da poeira, –  elementos comuns na região Centro-Oeste – a engenharia da empresa desenvolveu uma tomada de ar elevada, permitindo maior durabilidade aos filtros. Quanto à cabine, a recomendação é a de teto intermediário, porque o impacto do movimento é menor em relação à versão de teto alto, se levar em conta as condições da estrada. “Esse tamanho também se ajusta à altura do implemento, que mesmo carregado ainda é baixo. Os defletores de teto também devem ser baixos, pois temos de tomar esses cuidados para otimizar o veículo para a operação”, ressaltou Silva.

Menos potente que os modelos das outras marcas, o cavalo mecânico Constellation 25.420 6×2 é o caminhão que mais se ajusta ao autônomo, na operação da safra, conforme indicação da MAN Latin America. Cláudio Santos, engenheiro de marketing do produto, explicou que o modelo atende plenamente para quem vai rodar menos e transportar menor quantidade de carga com um semirreboque de três eixos. Santos  ainda lembra que o do VW 25.420 com cabine teto baixo seria mais conveniente na operação, mas na prática há mais saída para a versão com teto alto por causa do valor de revenda.

Volkswagen 25.420 6X2, tem motor de 9 litros, 420cv de potência e caixa automatizada de 16 velocidades

Apesar de ser um caminhão mais espartano, frente aos demais citados nessa reportagem, o Constellation tem trio elétrico, coluna de direção regulável e banco com suspensão pneumático de série. A transmissão automatizada ZF de 16 marchas (item também de série) é acoplada ao motor Cummins de 420cv e torque de 188,7 mkgf de 1.300 rpm. O modelo conta com bloqueio de diferencial, que permite o veículo acessar estradas de terra e terrenos arenosos e sair de possíveis situações críticas.

Com 3.300mm de entre-eixo o VW 25.420 possui dois tanques que somam 615 litros de diesel. A relação de 3,42:1 foi escolhida pela engenharia da MAN por ser mais versátil, já que possibilita ao veículo rodar em boa  velocidade em estradas de terra e alcançar 90 km/hora em rodovias.

No quesito segurança, o caminhão possui o EBD (sistema que faz a distribuição de carga durante as frenagens) o ASR, sistema de controle de tração. O freio motor de 325 cv funciona por cabeçote.

Ford Cargo 2042 6X2 tem motor de 10.3 litros, 420cv de potência e caixa automatizada de 12 velocidades

Nessa mesma faixa de 420cv, a Ford Caminhões disponibiliza o Cargo na versão 2042 6X2. O motor FPT de 10.3 e seis cilindros em linha  litros desenvolve 420cv a 2.100rpm e torque de 194mkgf na faixa de 1.000 a 1.500rpm. Esse propulsor conta com sistema de freio-motor turbo Brake no cabeçote. A caixa de marchas é a ZF 12 AS1930TD automatizada de 12 velocidades. Entre outros itens de segurança constam freios ABS e sistema ASR.  A versão 2042 disponibiliza entre-eixos nas medidas  de 3.600mm e a 2842 de 3.300mm. O caminhão da Ford, assim como os dos concorrentes, é produzido com cabine leito.

MAN TGX 6X4, com motor de 480cv, é o produto da montadora indicado para bitrem e rodotrem

Para operações que exigem maior capacidade de carga e de peso, em rotas superiores à 2.000 km, a MAN Latin America recomenda o TGX 29.480 6×4. Trata-se de outra categoria de caminhão, pois o modelo conta  com cabine mais larga e ampla e elevado nível de conforto e tecnologia. O motor de 480cv de potência e 245 mkgf na faixa 1.050 a 1.400rpm de torque, trabalha em conjunto com a transmissão ZF TipMatic, uma unidade automatizada de 16 velocidades. “Com 16 marchas, o motorista tem mais chances de achar o ponto ideal da marcha, independentemente da situação, favorecendo o consumo e o desempenho”, explicou Clau­dio Santos.

Iveco Hi-Way é equipado com motor de 13 litros, 560cv de potência e caixa de marchas de 12 velocidades

Já o modelo da marca recomendado pela Iveco para essa categoria é o Hi-Way 800S56TZ 6×4,  um pesadão 6X4 com diferencial de 3,73:1 adequado à operação rodoviária de longa distância quando é possível atingir velocidades entre 80 km/h e 90 km/h. A cabine indicada pela engenharia da marca é a leito teto alto, cujo piso é semipleno. O maior destaque é a largura de 2,5m. No quesito segurança, o modelo está equipado com freio-motor CEB de 460 cv de poder de frenagem, o que garante ao motorista maior segurança, principalmente atrelado ao um implemento de 9 eixos.

O motor desse pesadão é o Cursor 13 (13 litros) que desenvolve potência de 560cv a 1.550rpm, com torque 245 mkgf de 1.000 a 1.550rpm. O modelo utiliza caixa automatizada ZF 16AS 2630 de 16 marchas. Com entre-eixo de 3.500mm de série é oferecido com dois tanques de combustível, 600 e 300 litros.