Quando a edição número 1 da revista o Carreteiro chegou às estradas, em julho de 1970, os caminhões eram bem diferentes do atuais. Barulhentos, com cabines apertadas e baixa potência, não dispunham de ar-condicionado ou vidros com levantadores elétricos e direção com assistência hidráulica não era ainda um privilégio de todos os modelos.

No início da década de 1970, os modelos com motor a gasolina mantinham ainda presença no mercado; e o conforto do carreteiro não estava entre as prioridades dos fabricantes do setor. Com a chegada no País de novas montadoras, mais o incremento da tecnologia e a especialização do transporte rodoviário de cargas, o caminhão foi deixando de ser o veículo carrega tudo e a ganhar definição para o tipo de aplicação.

Outro passo importante na trajetória do transporte é que o compromisso da concessionária e do fabricante do caminhão deixou de encerrar após entrega do veículo ao cliente. Manter o veículo rodando o maior tempo possível passou a ser fundamental para o resultado positivo do negócio de transporte. Com isso, o atendimento pós-venda e a manutenção preventiva ganharam mais importância. O transportador tinha de se dedicar a transportar e ter oficina própria já não era tão vantajoso.

Caminhões expostos na Fenatran de 2015 com as mais recentes tecnologias de eletrônica embarcada e da conectividade

Caminhões expostos na Fenatran de 2015 com as mais recentes tecnologias de eletrônica embarcada e da conectividade

A busca pela eficiência provocou uma mudança na preferência dos transportadores, que passaram a preferir os caminhões com cabina avançada (cara-chata) ao invés dos convencionais. O motivo não era outro senão transportar mais carga por veículo, já que o espaço ocupado pelo motor – sob o capô – seria transferido para a plataforma de carga. Scania e Volvo foram as primeiras a tirar de linha os modelos bicudos.

Motores de baixa potência e um mesmo modelo para diversos tipos de trabalho eram parte do cenário do transporte no início dos anos 70

Motores de baixa potência e um mesmo modelo para diversos tipos de trabalho eram parte do cenário do transporte no início dos anos 70

E o conceito de ouvir o transportador para lhe oferecer o produto mais adequado, também foi ganhando espaço no mercado. Convidar clientes para mostrar um produto para determinado segmento, ouvir suas sugestões de alterações, também.

Além disso, as inovações nos caminhões e a era da eletrônica embarcada, em 1990, começaram a exigir melhor preparação dos motoristas. Além da entrega técnica, que passou a ser uma importante ação a fim de adequar o produto à aplicação a que será submetido. Atualmente, embora a frota esteja bastante envelhecida, o caminhão é visto mais como uma solução para o negócio de transporte do que propriamente como um veículo de carga.

Depois de 500 edições da Revista O Carreteiro, o caminhão já viaja sem necessidade do motorista estar o tempo todo ao volante

Depois de 500 edições da Revista O Carreteiro, o caminhão já viaja sem necessidade do motorista estar o tempo todo ao volante

Além disso, os caminhões produzidos atualmente são muito mais seguros, confortáveis e eficientes. Poluem menos e estão entrando na era da conectividade, recebendo e enviando informações durante todo o tempo, facilitando a operação de transporte em diversos aspectos. Também já se prospecta para dentro de alguns anos o caminhão autônomo, que anda sozinho, mas os especialistas garantem que o motorista continuará na cabine e seu papel será o de gestor do transporte. Quem viver verá.