A chegada ao mercado dos aplicativos de carga mudou a forma de obter frete e facilitou a vida dos motoristas de caminhão, embora nem todos sejam adeptos ainda da tecnologia que traz a oferta de carga até o smartphone do carreteiro

Por Diogo Mendes

Conseguir frete bom nunca foi fácil e com a atual situação do segmento do transporte rodoviário de carga tornou-se mais difícil ainda, em especial para os autônomos, que sobrevivem com a escassez de carga. Independente da crise que afetou o setor, as tecnologias avançam e aumenta o número de motoristas conectados à internet e, consequentemente, tirando proveito de vantagens por ela oferecidas.

No caso específico da oferta de fretes, tradicionalmente os agenciadores de carga intermediam a obtenção de cargas, ainda que cobrem dos carreteiros pelos seus serviços. Mas de uns anos para cá, a forma de captar e oferecer frete a motoristas e empresas começou a mudar e atualmente tornou-se prática comum obter carga pela internet via os aplicativos existentes no mercado.

Num País onde mais de 60% de todas as mercadorias são transportadas por caminhões, é natural que empresas identificassem uma oportunidade de negócio no desenvolvimento de aplicativos para cargas.

Muitas delas operam com o sistema ganha-ganha, uma vez que oferecem a ferramenta gratuitamente para motoristas e possibilita que as partes negociem valores e condições, tudo para que o negócio seja rentável para todos os lados.

A promessa é agir de maneira diferente dos atravessadores, como são chamados os representantes de agências, os quais, segundo motoristas, em alguns casos chegam a ficar com até 30% da renda do frete. No modelo do aplicativo, com a liberdade de negociação o intermediário é eliminado, aumentando a rentabilidade da operação também para o carreteiro.

O autônomo Genivaldo Machado Brandão, 36 anos  de idade e nove na profissão, é usuário assíduo de aplicativo. Natural de Sumaré/SP, ele contou que a ferramenta funciona, inclusive sendo bastante útil para obter carga de retorno, mesmo considerando que na maioria das vezes o valor  do frete é menor.

O carreteiro atua no transporte de carga seca e diz não ter tempo para correr atrás de agências de cargas. “Quando vou descarregar em uma região onde não estou habituado, consulto o aplicativo para não voltar vazio. O valor do frete é baixo, mas ajuda a fechar as contas no azul no fim do mês”, explicou. Genivaldo acrescenta que os aplicativos estão ao lado dos motoristas e ajudam bastante na busca por viagens mais rentáveis.

Apesar de nunca ter usado o aplicativo para conseguir frete, José Donizete Ferreira tem opinião de que essa tecnologia ajuda a ganhar tempo

No trecho há 25 anos, o paulista de Andradina, José Donizete Ferreira de Souza, 47 anos de idade disse que nunca utilizou qualquer tipo de aplicativo de fretes, embora entenda a importância da ferramenta. Ele comenta que não usa aplicativo para conseguir frete, mas reconhece que se trata de uma tecnologia muito importante para os amigos que precisam ganhar tempo, pois não se vêem na necesdiade de recorrer aos agenciadores de carga.

“Sei que pelo próprio sistema conseguem planejar melhor a viagem, então vale a pena”, opina. Desacreditado nos agenciadores de carga, José Donizete avalia que o que os aplicativos são o futuro e por conta disso os motoristas devem se preparar para essa realidade que já faz parte do dia nas estradas.

Pedro Paulo disse que as propostas recebidas pelo aplicativo eram para ir muito longe; não aceitou por temer não conseguir carga de retorno

Apesar da facilidade oferecida pelos aplicativos de carga, existem certos “poréns” que impedem motoristas a não aceitarem certas cargas disponíveis. O carreteiro Pedro Paulo Muller, por exemplo, um veterano com 52 anos de idade e 25 de profissão, tem opinião que os aplicativos ajudam muito, e que se trata de um sistema que chegou para ficar, porque pode facilitar a vida do motorista.

Diz que as propostas de carga que recebeu pelo aplicativo eram para ir muito longe e que quando é assim se corre o risco de gastar na viagem de volta o pouco dinheiro que sobrou, porque há problemas para se conseguir carga de retorno. Pedro justifica que tem medo de voltar vazio e conta que costuma recorrer diretamente às transportadoras para obter cargas. Isso mesmo reconhecendo que há desvantagens, como, por exemplo, atraso para receber.

Mesmo já tendo pesquisado cargas pelo aplicativo, Valdete Filho afirma que ainda não utilizou, porque tem carga garantida junto a uma empresa

Com 50 anos de idade e apenas cinco na estrada, o autônomo Valdete Filho Ermínio da Silva, de Teixeira de Freitas/BA, diz já ter pesquisado em um aplicativo de carga, mas nunca recorreu a ele para obter serviço. Diz que no seu caso essa tecnologia não faz falta. Conta que transporta para uma empresa de alimentos e não lhe falta carga para transportar. “A empresa me liga, solicita a viagem e assim acontece quase todos os dias”, garante.

Com essa tecnologia, hoje em dia é o frete que vem até nós carreteiros, destaca Nilton Cezatino, que usa aplicativo de carga todos os dias

Já o carreteiro Nilton Cezatino, de São Paulo/SP, disse que usa diariamente aplicativo de carga, pois tem funcionado muito bem com ele. “São úteis para o caminhoneiro. Antigamente tínhamos de ir às agências de carga, mas hoje o frete é que vem até nós”, justifica. Ele acrescenta que a modernidade chegou à profissão e que hoje em dia o motorista precisa estar antenado nas novidades do setor. “É importante para não perdermos frete”, opina.

Nilton destacou ainda que carreteiro que faz a opção pela não utilização dos aplicativos de carga, passa a ter de contar com a indicação de colegas do trecho parta conseguir boas viagens. “Amo o que faço e fidelizo meus clientes. Se a tecnologia veio para nos ajudar, então temos de utilizá-la”, finalizou.

Quando estou sem serviço, abro os aplicativos e logo consigo uma viagem, afirmou José Fernandes, para quem ficou mais fácil conseguir carga

Para José Fernandes da Silva, 37 anos de idade e 17 como motorista de caminhão, depois que inventaram os aplicativos de carga não ficado mais sem trabalho. “Foi a melhor coisa que aconteceu para os motoristas. Quando estou sem serviço, abro os aplicativos e rapidamente arranjo uma viagem” , contou. Ele acrescentou que atualmente 70% dos seus fretes chegam através de anúncios em aplicativos. “O resto consigo através de meus contatos nas empresas”, comemora.

Em sua opinião, a desvantagem de alguns aplicativos é não funcionarem de maneira satisfatória na plataforma IOS, do smartphone IPhone. “Não posso reclamar, só tenho a agradecer. Hoje o motorista ainda encontraria mais dificuldades ainda se não fossem esses aplicativos. A preocupação de não conseguir viagens é coisa do passado, ficou para tráz”, complementa.

FACILIDADES DOS APLICATIVOS

Atualmente, seis grandes empresas de aplicativos disputam a preferência dos motoristas de caminhão, oferecendo acesso remoto e irrestrito, contato imediato e liberdade para negociar valores (pelo menos na teoria). Para os usuários que optam por obter cargas via aplicativos, as vantagens estão na facilidade de se obtê-las eliminando os intermediários e aceitar aquelas que mais o atendem. Tudo a custo zero.

É claro que no setor ainda há espaço para inovações tecnológicas, e são bem-vindas desde que cheguem para somar, e não para ser um custo adicional. Para as empresas de aplicativos fica também o desafio de se aproximar e conquistar os motoristas ‘tradicionais’ – aqueles que não recorrem à tecnologia para obter cargas – e demonstrar as facilidades, com vantagens e desvantagens de seus produtos (DM).