A pedido de cliente, Mercedes-Benz aplica modificações em modelos da linha Atego e cria pacote que torna os veículos mais robustos. Numa única operação, a empresa acaba de realizar a venda de mais de 500 unidades para um único cliente

Por João Geraldo

Montadoras e transportadores estão cada vez mais afinados um ao outro, em qualquer que seja o tipo de operação à qual o caminhão é submetido. Isso porque, pela regra do mercado, atender bem ao cliente significa a sobrevivência, fortalecimento da imagem da marca e maior oferta de produtos. Um exemplo dessa dinâmica é o trabalho desenvolvido pelos engenheiros da Mercedes-Benz para a linha rodoviária Atego, cujas mudanças passaram a ser, juntas, um pacote disponibilizado também para modelos focados na aplicação urbana.

Cabe lembrar que os caminhões Atego concorrem na mais disputada faixa de mercado, na qual os veículos se prestam tanto à aplicação rodoviária para curtas e médias distâncias, quanto em operações de distribuição e coleta urbana. De acordo com Marcos Andrade, gerente de produto caminhões da Mercedes-Benz, 90% dos veículos que entram na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP), na cidade de São Paulo, são semipesados.

Andrade acrescenta que cerca de 30% da frota brasileira é formada por caminhões semipesados, sendo que a maioria (mais de 85%) está rodando em vias sem pavimentação.

O agronegócio, por exemplo, é um setor que utiliza muitos caminhões médios e semipesados. É dessa faixa de carga que vem a novidade puxada pela empresa paranaense Via Lacteos, dona de uma frota com 480 caminhões utilizados, em sua maioriam para transportar mais de 1,1 bilhão de litros de leite por ano.

Modelo tem conforto e flexibilidade para rodovias e variados tipos de aplicações

Apesar de não ser produtora de leite, a principal operação da Via Lácteos é levar o produto desde sua origem até as empresas de processamento. Trata-se de uma operação na qual o caminhão enfrenta estradas de terra e asfaltadas, em diferentes situações que exigem um veículo mais robusto e preparado para diferentes tipos de rodagem. Dentro do jargão “As estradas falam e a Mercedes-Benz escuta”, o departamento de engenharia de vendas da empresa conta com 15 engenheiros para atender as demandas. Os pro­fissionais ouviram as sugestões da empresa e desenvolveram alterações que deixaram o Atego mais bem preparado para a operação.

As modificações, que receberam o nome de Pacote Robustez, passaram a ser um opcional para a família Atego, exceto as versões off-road. A primeira delas é o para-choque tripartido construído com o mesmo material utilizado para o Actros, que devido à sua flexibilidade dificulta quebras. Caso aconteça, troca-se apenas a parte danificada.

O primeiro degrau da escada de acesso à cabine (em metal) ficou acima da linha do para-choque, também para evitar quebras. A luz da seta foi posicionada atrás da cabine e a lente dos faróis receberam tela de proteção. Os pneus na medida 275/80R22,5 foram substituídos pelo 295/80R22.5, que deixaram o caminhão em 32mm mais alto em relação ao solo. A primeira venda de Atego para a Via Lacteos com o Pacote Robustez envolveu 20 unidades, sendo 10 da versão 1719 4X2 e 10 da 2426 6X2.

Andrade explica que as modificações podem ser aplicadas em caminhões de coleta de lixo, veículos que também enfrentam condições adversas nas periferias das grandes cidades. As opções da marca para esta aplicação são o Atego 4X2 nas versões 1719 KO (que já sai da fábrica pronto para a aplicação), 1726KO e 1729KO 6X2, todas com banco de vinil. O pacote é disponibilizado também para as versões 1419, 1719, 1726, 1729 e 1730, todas 4X2 e 2426 e 2430 6X2. E, em  todos os casos, para cabines standard e estendidas.

UMA GRANDE TACADA

Expectativa de vendas para a linha Atego este ano é de superar as 5 mil unidades

A Mercedes-Benz realizou uma das maiores vendas de caminhões dos últimos tempos. No total foram 524 unidades (286 Atego 2730 6X4 e 238 Axor 3344S 6X4) para operações fora de estrada da Raizen, um dos principais fabricantes de etanol do Brasil. Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas, marketing & peças e serviços caminhões e ônibus da fabricante de veículos pesados, destacou que essa venda expressiva é resultado do bom relacionamento, e que nesse caso a Mercedes-Benz desenvolveu e aprimorou soluções focadas no transporte canavieiro.

Quando foi feito o anúncio da conclusão da venda, na segunda quinzena de maio, todos o lote de Axor já se encontrava em operação, assim como parte dos Atego. “Havia quase 10 anos que não se fazia uma venda com esse volume. Por isso estamos muito felizes por termos sido escolhidos pela Raizen”, acrescentou Leoncini, afirmando que isso mostra que a lição de casa está sendo feita pela equipe de vendas e de marketing da Mercedes.

Para Roberto Leoncini, a venda de 524 unidades mostra que a Mercedes-Benz está fazendo a lição de casa

O diretor agrícola corporativo da Raizen, Ian Dobereiner, justificou que os motivos da opção pelos veículos Mercedes-Benz deveram-se à força da marca, à tecnologia embarcada dos caminhões, conforto da cabine, robustez e o pós-vendas. “O contrato de manutenção foi fundamental para fecharmos o negócio”, concluiu. Mais de 80% dos novos caminhões têm caixa de câmbio automatizada.

Os 524 caminhões do lote não contam com o Pacote Robustez. A maior parte dos veículos é utilizada pelas oito transportadoras que trabalham para a Raízen, empresa criada a partir da junção de parte dos negócios da Shell e da Cosan. A Raízen se destaca como uma das empresas do setor energético mais competitivas do mundo. É a terceira maior distribuidora de combustíveis do Brasil, com uma rede de mais de 6.000 postos de serviços para distribuição de combustíveis, espalhados pelo Brasil sob a marca Shell.