Antes da constituição da fábrica da Scania no Brasil, em 02 de julho de 1957, o nome já era conhecido no País. Isso porque caminhões e ônibus da marca começaram a desembarcar por aqui no final da década de 40, trazidos por empresa importadora

Por João Geraldo

Primeiro Scania produzido no Brasil foi um L 75, em 1957. Modelo substituiu o L 71, que na época era importado da Suécia e bem visto no mercado brasileiro

Como parte das comemorações dos 60 anos da instalação da fábrica no Brasil, a Scania organizou uma exposição com caminhões de diferentes anos e séries para contar parte da sua trajetória no mercado brasileiro através de diferentes modelos. Cabine “joão de barro”, “jacaré” e “espingardinha”, são apelidos que veículos da marca receberam dos transportadores no decorrer dos anos e prevalecem até hoje, tanto na estrada quanto em anúncios classificados de vendas de caminhões.

Registros da empresa indicam que o primeiro caminhão da marca a rodar no Brasil foi o L 65, importado a partir de dezembro de 1949. Esse e outros modelos estiveram reunidos em exposição dentro da fábrica da Scania, em São Bernardo do Campo, como parte das comemorações de 60 anos de presença no País.

O Scania Vabis L 71 deu início à saga dos caminhões laranja da marca no Brasil. O modelo era equipado com motor de 9,35 litros, seis cilindros e 150hp de potência

O Scania Vabis L 71, que deu início à saga dos caminhões laranja, chegou ao País em 1957, ano da constituição da empresa. Equipado com motor D 09, de 9,35 litros, seis cilindros em linha e 150cv, o modelo representou o sonho de muitos transportadores brasileiros daquele período, conforme conta Oswaldo Strada, proprietário de um L 71. Com capacidade máxima de tração para 35 toneladas, o modelo tinha performance acima do padrão da época.

O exemplar da coleção de Strada foi adquirido há cerca de 10 anos em Curvelo/MG. “Tirei a sorte grande quando localizei esse caminhão”, comemora o transportador e colecionador, destacando como incomparável o ronco do motor do Scania Vabis 1957, importado da Suécia. O L 71 deveria ter sido o primeiro caminhão Scania a ser produzido no Brasil, mas acabou sendo substituído pelo L 75.

Produzido em 1958, o L 75 era impulsionado por um motor de 10 litros, 165hp importado da Suécia. O veículo era produzido com 35% de índice de componentes brasileiros

Em 1958, a empresa Vemag produziu o L 75 especialmente para atender a Scania. O veículo era equipado com motor de 10 litros (importado da Suécia) e 165 hp a 2.200 rpm, caixa de câmbio de cinco marchas sincronizadas e caixa auxiliar (também sincronizada) que aumentava em 40% a força de tração. O veículo era produzido com 35% de índice de peças brasileiras. Em 1959, o modelo passou a sair da linha de produção da fábrica da Scania–Vabis em São Bernardo do Campo.

O L 75 azul da exposição pertence ao transportador e colecionador Laurindo Cordiolli, que comprou o veículo há mais de 30 anos. Era uma antiga paixão, quando ele viu pela primeira vez o L 75 durante uma viagem a Porto Velho/RO, em 1959. “A imagem daquele Scania azul ficou na minha mente durante décadas”, conta o transportador. O reencontro com o modelo se deu em 1990, após um amigo que mora no Pará ter lhe dito que um vizinho estava vendendo um Scania L 75 azul ano 1959. “Meu coração disparou”, relembra. O veículo foi levado para Maringá/PR e reformado. O Scania 1959 é parte de uma coleção  de 50 veículos antigos que o empresário guarda em um galpão exclusivo da empresa.

Em 1971, a linha L 76 (chamada de cabine joão de barro, devido ao formato, e também conhecida como Série 0) teve a denominação alterada para L, LS e LT 110

No segundo semestre de 1963, a Scania substituiu L 75 pelo L 76. O novo modelo  trouxe melhorias técnicas, com destaque para o motor D 11 (11 litros) com 195cv de potência a 2.200 rpm. No ano seguinte, montadora apresentou os modelos LS e LT trucados e também as primeiras cabines leito. Como nos modelos importados, a cor laranja, tinha  relação  com a segurança, pois facilitava a identificação do veículo. Na época, a Michelon utilizou o L 76 no transporte de cargas frigorificadas e seca. Em 2008, quando alguns ativos da empresa foram à leilão, a família Galiotto (dona da Vinícola Galiotto) adquiriu uma unidade ano 1964.

Em 1971, os caminhões da marca tiveram o sistema de freio modernizado e ganharam nova denominação: o L 76 passou a ser L 110, o LS 76 para LS 110 e o LT 76 para LT 110. A linha, que ficou conhecida como série 0 (zero), foi apelidada também de “joão de barro” devido ao formato da cabine. Em 1975 entrou em produção o L 111 (jacaré) com cabine leito e direção hidráulica. Esse modelo inaugurou a nova fábrica de chassis.

Em 1975, o L 111 (jacaré) entrou em produção e estreou a nova fábrica de chassis da Scania. Equipado com motor de 203cv, a versão 111 S se destacava por ser turbinada. Já o LK 140, cara-chata importado em 1974, era produzido com motor V8 de 350cv, uma potência que mereceu grande destaque na época

Equipado com motor de 203cv, o L 111 foi comercializado nas versões LS (6X2), LT (6X4) e L (4X2). Havia uma versão S, cuja letra era indicação de um veículo turbinado. Ivan Camargo, dono da I.C Transportes, lembra que que comprou o seu L 111 em 1980 zero quilômetro. O veículo, emprestado para a exposição da Scania, trabalhou até 2011.

A família 111 foi produzida até 1981, ano em que foi lançado o T 112, modelo que em 1989 ganhou a versão 112HW, com motor V8. Testado em túnel de vento na Europa, o veículo tinha o para-brisas inclinado em 20 graus para melhorar a aerodinâmica. Celso Mendonça, gerente de desenvolvimento de negócios da Scania no Brasil, acrescentou que o modelo era produzido nas cores azul, branco, vermelho, amarelo e laranja.

A jornada pelo passado dos caminhões Scania chega ao LK 140, modelo importado em 1974 e produzido em escala na fábrica de São Bernardo do Campo a partir de setembro de 1975. Além da cabine avançada (cara-chata), o veículo era tracionado por um motor V8 (DS 14) de 350cv de potência. Em 1978 o modelo deu lugar para o LK 141, importado.

O exemplar em exposição, fabricado em 1977, foi adquirido em 1980 pelo empresário Antônio Sérgio Hurtado, mais conhecido como Neo, também colecionador de veículos antigos. Naquele ano Neo precisava de um caminhão para o transporte de matéria prima de Minas Gerais para sua indústria de embalagens em Caieiras/SP, e também para a entrega de produtos acabados para os clientes. “Achei esse caminhão em Curitiba/PR. O dono, já idoso, acabou ficando cego e seus filhos acharam melhor vender o caminhão. Comprei na hora”, contou, lembrando que o veículo passou por reforma total, da mecânica à lataria, além de transformações, como, por exemplo, a instalação do terceiro eixo.

A série 3 (T 113 e T143) foi lançada em 1991 e trouxe entre suas novidades a nova caixa de câmbio e motores com até 450cv de potência

Em 1991 a Scania lançou a série 3, com a linha T 113/143. Entre as novidades havia a nova caixa de câmbio, novos motores (de até 450cv, no caso o V8, oferecidos até 1994) entre outras inovações para a época. O empresário Luis Loucatelli, que em 1981 abriu a Cortesia Concreto, comprou o primeiro cavalo-mecânico Scania em 1982, um T 112 H 4X2 e o primeiro T 113 H 4X2 zero quilômetro, em 1995. “Era um caminhão forte, de fácil manutenção e estava sendo muito elogiado pelos colegas na época”, recorda. Ele disse que o veículo ainda trabalha e só estava parado no momento por conta da retração do mercado.

O ano de 1998 foi marcado pelo início do sistema Modular Scania e o lançamento da Série 4, formada pelos modelos 94, 114, 124 e 164. Eram veículos totalmente novos, apesar de que as primeiras unidades ainda utilizavam motor da Série 3. As cabines ganharam design mais aerodinâmico (arredondado) e o interior passou por mudança total, passando a oferecer mais requinte e conforto. Outras inovações foram o motor eletrônico de 420cv e o freio retarder. Em 2001, a Série 4 trouxe de volta o motor V8 no R164 480 6X4 (versão top de linha) o “rei da Estrada”, o caminhão mais potente do Brasil até 2006. Em 2007 chegam as séries P, G e R, com duas novas cabines: G e Highline, a mais alta do mercado na época.