Embora não sejam ainda a única forma de o motorista receber o valor frete, os cartões são vistos pelos motoristas como uma forma segura e rápida quando comparado à carta-frete que, segundo profissionais da estrada, ainda sobrevive em alguns locais do País, mesmo que seu uso gere multas

Por Diogo Mendes 

Os cartões para motorista, criados com o objetivo de substituir a carta-frete, forma de pagamento “extinta” em 2010 pela Lei 12.249, pela qual o motorista tinha de trocá-la em determinados postos de combustível, com parte do valor indo para abastecimento do caminhão, têm sido vistos por motoristas como meios seguros e eficientes de recebimento do frete.

Os autônomos, principalmente, apontam vantagens em usar cartão para transações de frete, como rapidez e facilidade para ter o dinheiro na conta, além da possibilidade de pagamentos de contas, entre outras. Porém, não falta quem considere como alto os valores cobrados pelas administradoras. A equipe da revista O Carreteiro conversou com motoristas sobre as formas de recebimento de frete e apurou que apesar das facilidades e segurança encontradas nos cartões, ainda hoje, oito anos após seu fim (tida como ilegal e rende multas que variam entre R$ 500,00 e R$ 10 mil), a carta-frete continua viva em alguns locais, segundo relatou alguns motoristas.

O carreteiro Roiez Benevi de Osório, de Cachoeiro de Itapemirim/ES, afirmou que na maioria das viagens, a forma de recebimento é via cheque ou dinheiro. “Os cartões ainda não vigoram em muitos lugares. A carta-frete, mesmo que ilegal, ainda está sendo muito usada no País, mas  de forma disfarçada”, afirmou.  Osório acrescentou que conforme a confiança que ele tem nas empresas, as deixa pagar da maneira delas, embora admitiu que já teve muito prejuízo com cheques devolvidos.

Roiez Benevi comentou que apesar de ser ilegal, a carta-frete ainda é usada. Disse que suamaneira de receber o frete depende da confiança que ele deposita na empresa

A segurança do débito em conta é a melhor forma para receber o frete, defende o também carreteiro capixaba, de Cachoeiro de Itapemirim, João Manuel. “É prático e seguro”,  reforçou. Ele relatou que na maioria das vezes recebe o pagamento via crédito em conta. Disse também que às vezes relembra dos tempos de carta-frete, quando tinha de abastecer em postos com diesel caro. “A renda não era facilmente comprovada, mas quando o governo percebeu que estava perdendo dinheiro, tratou logo de se mover”, finalizou.

Para o carreteiro João Manuel, a melhor forma de receber o frete é via débito em conta, porque é mais prática e segura e facilita a comprovação de renda

“A carta-frete ainda é utilizada por empresas pequenas. Geralmente o valor é um pouco mais defasado e não tem desconto, mas eu prefiro mesmo receber via cartão ou por crédito direto na conta corrente, que cai na hora e confirmo”, observou o carreteiro José Silderlânio Gondim, de Cia Norte/PR.

Ele destacou que quando vai usar o cartão, uma das dificuldades que enfrenta é que as empresas informam um valor do diesel e quando ele chega lá preço é diferente. “Isso é uma dificuldade, pois atrapalha no meu planejamento financeiro”, reclamou o motorista.

José Silderlânio, que prefere receber via cartão ou crédito em conta, disse há casos em que o preço do diesel no posto não é o mesmo informado pelas empresas

Mesmo com as observações de motoristas, o fato é que os cartões vieram para ficar, pois o mais importante para o motorista é a segurança para ter o dinheiro do frete. José Messias Cruz, de Itamaraju/BA, por exemplo, disse que recebe através de prestadoras de cartão ou em conta corrente, mas que no tempo da carta-frete a situação era muito difícil. “Nós éramos obrigados a abastecer com o valor que eles achassem conveniente. O dinheiro não era nosso, mas agora com os cartões, ligo em um dia, transfiro meu dinheiro e no outro o valor já está em minha conta”, relatou.

Ná época da carta-frete a situação era muito difícil, éramos obrigados a abastecer o caminhão com os valores que eles achassem conveniente, disse José Messias

Cruz acrescentou que além de ser seguro e mais prático,  ele não tem mais de andar com valores em espécie. Outra vantagem mencionada por ele é poder comprovar sua renda de forma mais prática e clara, bastando uma simples ligação para que a prestadora de serviços lhe envie um extrato.

Outro motorista que também recebe suas viagens por meio de prestadoras de serviço via cartão é Danilo Emerson da Silva, de São Bento do Una/PE. De acordo com ele, apesar da praticidade e segurança, são altas as taxas cobradas por essas empresas e acabam comendo o seu dinheiro. Citou como exemplo o valor de R$ 10,00 por transferência bancária e R$ 5,00 por saque realizado. “Há também prestadoras em que temos mais facilidade. Em uma delas, o posto de combustível mantém o preço das bombas, já em outra o preço modifica muito. Então, acho que deveria ser melhor fiscalizado pelos órgãos competentes e, claro, que mais postos aceitem pagamentos via cartão”, sugeriu o carreteiro.

Sobre os cartões de frete, Danilo Emerson da Silva concorda que há facilidades, mas considera altos os valores cobrados por transferência bancária e saques

BENEFÍCIOS E TAXAS

Do mesmo modo das bandeiras de carões de crédito e débito convencionais, muitas das prestadoras de serviços citadas na reportagem oferecem acompanhamento de extrato e serviços gratuitos de créditos e débitos registrados, por meio de aplicativos ou site na internet. Como sugestão dos carreteiros dada à reportagem da revista, vale a pena pesquisar todos os serviços oferecidos para descobrir quais são os benefícios gerados e taxas praticadas por cada empresa do mercado de cartões para motoristas, para rentabilizar mais a operação.