O Dodge D-700 foi fabricado no Brasil com opções para motorização a gasolina ou diesel

Na década de 1970, a Chrysler do Brasil, montadora que fabricou também automóveis de passeio no País, utilizava textos bem-humorados para divulgar qualidades de seus caminhões

Por João Geraldo

Maior potência, mais carga transportada em menos tempo de viagem e cabine confortável, entre outros itens, têm sido argumentos utilizados há décadas pelos fabricantes de caminhão como forma de mostrar aos transportadores a eficiência de seus produtos. Quem é “das antigas” provavelmente vai se lembrar de vários anúncios da Chrysler do Brasil publicados no início da década de 70, divulgando qualidades dos modelos Dodge 400 e 700. Não raramente, os anúncios da empresa brincavam com as palavras trazendo boa dose de humor para enaltecer diferenciais dos veículos em relação aos concorrentes.

“O Dodge 400 pode carregar muito mais carga que os outros. Ele tem força para isso. É o caminhão mais potente de sua categoria e seu chassi é super reforçado, mas a lei da balança não deixa que ele passe dos limites, embora reconheça o seu direito de passar os outros para trás”, dizia o início do texto de um dos anúncios publicados nas primeiras edições da Revista O Carreteiro.

Na sequência, o texto dizia que o motorista podia aproveitar toda a força do caminhão, que andava depressa, para chegar mais cedo ao destino e lucrando mais. “Por ele, você poderia levar sobrecarga a vontade e correr muito mais. Mas olha a autoridade aí” e lá estava a figura de um policial rodoviário.

Anúncio com imagem de uma freira associava estado de tranquilidade do motorista ao desempenho do caminhão

Outra publicidade que divulgava os modelos D-700 e D-400 trazia a imagem de uma freira: “Com Dodge você vence as piores estradas, sem encrencas, sem blasfêmias. O Dodge foi feito para você carregar mais carga e descarregar menos nomes feios”. Em outro anúncio a empresa estampava a imagem de um médico: “Você está tenso, nervoso, agitado? Compre um caminhão Dodge e acabe com a angústia terrível das viagens sem fim”.

A lista de citações a favor do veículo continuava: “Seu chassi é super reforçado, permite a colocação de qualquer tipo de carroceria sem adaptação. O torque supera o de outros caminhões, por isso eles são ultrapassados nos planos e nas subidas. Você pode ficar sossegado, e o ouvido dos outros também. O Dodge é mais veloz, é o caminhão que dá menos palavrão por quilômetro rodado. Tem cabina confortável e ampla visibilidade”. O texto se referia ao D-700 (gasolina e diesel), para 1.850kg e ao D-400 (gasolina) para 5.443kg. “O Dodge só tem ouvido elogios e para uma ou outra praga de alguns invejosos”, finalizava.

TROCA DE MÃOS

Em julho de 1979, a Volkswagenwerk, proprietária da Volkswagen do Brasil, anunciou a aquisição de 67% das ações da Chrysler do Brasil mais o direito de produzir os veículos País. A compra já havia sido formalizada em janeiro daquele ano. Em novembro 1979 a Volkswagenwerk adquiriu os 33% restantes da matriz norte-americana e em fevereiro de 1981 mudou a razão social para Volkswagen Caminhões.

O objetivo da empresa alemã era entrar no mercado de veículos de carga, como se viu logo em seguida. Por conta disso parou de produzir os automóveis Dodge para se dedicar aos caminhões. Antes de lançar os modelos médios e semipesados de seu projeto (os VW com cabine avançada), a Volkswagen atualizou a linha de caminhões Dodge e incrementou suas vendas. Em março de 1981 a montadora lançou os modelos VW 11-130 e 13-130, os primeiros caminhões da marca alemã com cabine avançada.