A Iveco está lançando o Tector semipesado Auto-Shift com caixa de câmbio automatizada Eaton Ultrashift Plus de 10 velocidades. A montadora está apostando alto na sua nova família caminhões, posto que após dois anos de desenvolvimento está entregando ao mercado uma linha de produtos que apresenta perfeita sincronização entre o sistema de transmissão e o motor FPT de 300cv potência.

Por João Geraldo

Promover a apresentação de um produto após meses ou até mais de ano dos principais concorrentes, tem lá suas vantagens. Uma delas é a oportunidade de oferecer algo mais elaborado e completo absorvendo inclusive novidades surgidas durante o período entre os lançamentos. É o caso da nova família de caminhões Iveco Tector com transmissão automatizada, que consumiu dois anos de trabalho e na visão do pessoal da engenharia e do marketing da Iveco traz vantagens que serão rapidamente reconhecidas pelo mercado.

Caixa Eaton automatizada tem funções exclusivas que tornaram o Tector um caminhão mais competitivo na sua categoria

Denominada de Tector Auto-Shift, a nova família de semipesados é formada inicialmente pelas versões, 170E30 4X2, 240E30 6X2 e 310E30 8X2, veículos que chegam ao mercado preparados e credenciados para aumentar a participação da marca no segmento que hoje representa cerca de 30% do mercado global de caminhões no Brasil. Isso porque o trabalho realizado pelas engenharias da Iveco, FPT e a Eaton resultou em um produto altamente competitivo, muito bem preparado pa­ra atender às demandas do transportador que opera nesta faixa de carga. Novas versões, como o cavalo-mecânico 170E30T e o 260 E30 6X4 deverão ser apresentados mais para a frente.

Um dos destaques dos novos caminhões é a perfeita integração e sincronização entre a caixa Eaton Auto-Shift de 10 velocidades e o motor FPT N67 com turbo-intercooler e injeção Common Rail. Esse motor de 6.728cm entrega 300cv de potência a 2.500 rpm e torque máximo de 1.050Nm operando na faixa de 1.250 a 1.850 rpm. As trocas de marchas são rápidas, suaves e sem tranco, tornando a dirigibilidade muito mais fácil, segura e prazerosa. Bastante fácil, graças à tecnologia, assim como em  modelos de outros fabricantes disponíveis no mercado. Mas cabe dizer que mais do que inserir a marca no disputado segmento de caminhões semipesados automatizados, a nova linha Tector traz diferenciais em relação aos concor­rentes. Tratam-se de certos “modos” exclusivos disponibilizados pela caixa de câmbio, baseados em informações obtidas junto a motoristas. São itens que contribuem para o aumento da eficiência e a segurança em diferentes condições de operação, conforme acrescenta Ricardo Barion, diretor de marketing da Iveco para a América Latina.

Como já é de conhecimento dos transportadores, a caixa de marchas automatizada preserva o trem de força do caminhão e alivia o trabalho do motorista, entre outros benefícios. No caso do Tector, conforme destacou Barion, a Iveco desenvolveu características exclusivas para o veículo oferecer performance, redução de custos e conforto para o motorista.

O pedal do acelerador, por exemplo, é progressivo e permite ao motorista encontrar a melhor faixa de torque do motor para se obter uma condução econômica. Trata-se de um recurso bastante útil nos trechos de subida. Em outra função específica – para ser utilizada nas situações de ul­tra­passagens – o motorista pisa fundo no pedal do acelerador e  a caixa câmbio retrocede uma marcha para dar mais potência ao motor.

Motor FPT de 6.7 litros e 300cv ficou bem ajustado à caixa de câmbio Eaton de 10 velocidades: os engates são suaves e sem trancos no caminhão

Também é possível dar maior agilidade ao caminhão nas ultrapassagens acionando um botão na lateral da alavanca de marchas por três segundos. Essa função “sport” não chega a ser uma exclusividade, mas no Tector ela surge aperfeiçoada e se mostra bastante útil, porque muda o tempo de troca de marchas fazendo o giro do motor subir rapidamente até 2.500, sendo desabilitada após um minuto. Esse recurso, que pode ser utilizado também quando se coloca o veículo em movimento.

Outra função, denominada Down Hill, é para ser utilizada em trechos de declives suaves. Ela entra em operação quando se desativa o freio motor e automaticamente o veículo engrena a 10ª marcha.

Nova linha Tector oferece variações que incluem diferentes opções de cabine e entre-eixos

O objetivo é a redução do consumo de combustível. Já a função low é para situações que exijam mais eficiência no freio-motor, cuja potência é de 150cv. O Tector automatizado conta também com o sistema ASR, que não deixa o veículo patinar, em situações de baixa aderência e dependendo da carga, velocidade e inclinação da pista, as trocas de marchas acontecem automaticamente fora a sequência convencional. Conta também com o sistema que em partidas em rampa o caminhão fique parado por três segundos (é o tempo para tirar o pé do freio e pisar no acelerador). O sistema funciona também no caso da marcha à ré em rampas. Entre outros recursos, vale destacar o Modo Manobra, pa­ra movimentar o veículo em velocidade baixa, constante e sem trancos para realizar determinadas manobras.

A nova linha automatizada oferece variações que resultam em diferentes opções, como cabine leito teto baixo ou alto, cabine curta teto baixo e também diferentes entre-eixos. Mercado argentino também terá o Tector  Auto-shift, porém, adequado à realidade do mercado. A Iveco tem forte presença no país, onde encerrou 2016 com cerca de 25% de participação nas vendas de caminhões acima de 16 toneladas.

Com a inlcusão da caixa automatizada, o Tector teve o preço  no mercado brasileiro elevado  em R$ 15 mil reais. Ricardo Barion destaca vantagens ao Auto-shift, e destaca o consumo de combustível 5%, em média, abaixo dos principais modelos concorrentes. E avisa que os 100 primeiros modelos automatizados vendidos receberão plano de manutenção gratuito da modalidade Essencial pelo período de dois anos.

Os semipesados brasileiros começaram a ser equipados com transmissão automatizada em 2013 e assim como ocorreu com os modelos pesados, acredita-se que a caixa mecânica será substituída também no segmento. Ricardo Barion acredita que os semipesados automatizados deverão representar quase metade das vendas do segmento em 2018. “Hoje, o automatizado está mais focado no 6X2, mas acreditamos que o 8X2 deve seguir essa tendência”, concluiu.