Lançado em setembro de 2017,  o Volkswagen 11.180 é um integrante da família Delivery homologado para 10.7 toneladas de PBT. Trata-se de um caminhão preparado para atender  aos segmentos de leves e médios, com atuação em operações de distribuição urbana, e também em trechos rodoviários de curtas e médias distâncias

Por Andrea Ramos

Fotos: Omar Matsumoto

Depois do Ford Cargo 1119 – cujo PBT de 10,5 T é de caminhão médio, embora seu porte físico seja de caminhão leve –, agora é a vez do VW Delivery 11.180 entrar na disputa por espaço no segmento de 10 a 15 T de PBT. O avanço dos leves nessa faixa um pouco acima se deve a vantagens que não passam despercebidas pelo mercado, porque atendem com eficiência à demanda pelo transporte de maior quantidade de carga na distribuição urbana, principalmente.

Com PBT superior, de 10,7 T, a proposta do modelo é entregar maior aproveitamento sem perder as características de veículo que pode atuar no perímetro urbano. Dependendo da opção de entre-eixos – 3.400 mm, 4.000 mm, 4.400 mm e 4.600 – e da carroceria, o Delivery 11.180 pode transportar carga útil entre de 7.300 kg e 7.450 kg.

A transmissão de 6 velocidades, com a última marcha overdrive, faz a diferença em trechos rodoviários. O banco com amortecimento pneumático é um item que valoriza o conforto do motorista

O modelo 11.180, foco dessa reportagem, é equipado com caixa de câmbio Eaton manual, a ESO 6106 de 6 velocidades, sendo a última overdrive – conveniente para quem opera no trecho rodoviário e que faz diferença em rodovias, porque permite que o caminhão rode em boa velocidade, sempre numa rotação mais baixa, garantindo boas notas de consumo de diesel. Essa caixa, uma novidade nos caminhões da montadora e também a melhor que se adequou ao veículo, segundo a engenharia da fábrica, está preparada para receber tomada de força.  Cabe lembrar que a MAN Latin America saiu na frente ao anunciar que a nova linha Delivery, lançada em setembro de 2017, teria versões com a caixa automatizada.

A dirigibilidade do VW 11.180 é parecida à de uma picape de grande porte; o teto conta com alçapão e o volante disponibiliza regulagens de altura e profundidade

Já os modelos semileves de 3,5 a 6 (modelos Volkswagen Express, 4.150 e 6.160) deverão receber a transmissão inteligente a partir do primeiro trimestre de 2019. Vale ressaltar que 6.160, assim como 9.170 e o 11.180 já estão à venda. Os demais, Delivery Express e 4.150 passam a ser comercializados até o final do primeiro semestre deste ano. A opção para a transmissão automatizada estará disponível no final de 2018 e contemplará também os modelos 9.170 e 13.180, conforme anunciou a fabricante do modelo, a MAN Latin América.

O motor do VW 11.180 é o Cummins ISF 3.8 com 175cv de potência a 2.600 rpm e sistema de emissões SCR, isso é, utiliza Arla32. Embora a montadora tenha modelos mais pesados com sistema de redução de emissões EGR, a opção pelo SCR se mostrou melhor para atender à norma de emissões de poluentes Proconve P7. Com relação ao motor do Delivery já existente, os atuais estão 10% mais leve e com 15% menos de vibração.

Em marcha, na rodovia dos Imigrantes, o Delivery 11.180 na velocidade da pista, a 80 km/h com a 12ª marcha engrenada, andou desenvolto em rotação de 1.400 rpm, ou seja, bem longe de chegar ao limite da faixa verde. Outro ponto a ser destacado no modelo é a opção de uso do freio-motor poupando o de serviço.

Nessa avaliação, que mesclou trecho urbano e rodoviário (que é o perfil do 11.180), o caminhão estava com 8 toneladas de carga. Isso não o impossibilitou de vencer agilmente os aclives das vias urbanas. Propositalmente sugerida pela MAN Latin America, a rota incluiu ruas mais estreitas, com subidas, quebra-molas e tudo o que é comum às cidades. Nenhuma dessas situações inibiu a forma do motor. Na subida, o caminhão desempenha em boa velocidade de 40 km/h a 1.500 rpm, em 4ª marcha.

Na estrada chama a atenção o conforto proporcionado pelo sistema de suspensão que incorpora molas parabólicas. Nesse quesito, o motorista conta também com banco com amortecimento pneumático e cabine com suspensão de mola. O resultado se torna mais nítido quando o caminhão trafega por terrenos irregulares.  Ao volante, a impressão que se tem é de estar dirigindo uma dessas picapes modernas, com dirigibilidade muito próxima à de um veículo de passeio de grandes dimensões. Outro ponto que vele ser destacado é a amplitude do espaço interno graças ao posicionamento do para-brisa mais reto.

O motor Cummins com 175cv de potência precisa do uso de Arla 32. Segundo a fábrica, com essa opção o modelo atende com maior eficiência à norma ambiental brasileira

Para se ter uma ideia, um motorista de 1,90m de altura fica bem a bordo. Os bancos duplos dos passageiros também permitem dois ajudantes viajarem bem. O encosto central é rebatido podendo virar uma mesa de escritório ou um local para fazer as refeições. E mesmo para o banco do meio, o cinto de segurança é de 3 pontos (na versão anterior é abdominal). O assoalho é parcialmente plano para facilitar a locomoção a bordo e o acesso à cabine ganhou mais segurança com o protetor de degraus. O espaço serve como chineleira.

Se o motorista tiver o péssimo costume de dirigir com o pé na embreagem, ou com giro alto, um sinal sonoro é dado.  O Delivery 11.180, assim como toda a linha, elevou a categoria de caminhões leves, mesmo não trazendo nada de extraordinário. Contudo, tem tudo para nadar de braçada no segmento em que vai atuar. Claro que isso também vai depender da política de preço da concorrência.

Gosto e lembranças à parte, fato é que em vista dos concorrentes, e mesmo dos atuais modelos da marca, a nova linha Delivery tem o design bastante moderno. Além disso o modelo recebeu computador de bordo mais completo, que mede consumo instantâneo, períodos de paradas para revisões, pressão do óleo, nível de água e bateria, pressão do ar, possíveis falhas e horas trabalhadas.

Para que os novos Delivery não canibalizem a linha “tradicional”, como estratégia a MAN Latin America apresentou os produtos com diferentes potências e capacidades de carga. Dessa forma , a montadora cobriu praticamente todas as necessidades dos clientes desse segmento, com veículos mais espartanos e os mais completos e modernos, embora por questão de evolução natural são grandes as chances de os Delivery atuais saírem de linha. Mas enquanto isso não acontece, cabe à MAN comemorar os louros de ter sido a primeira marca a trazer modernidade para o segmento de caminhões leves.