Cabine com piso plano; família de motores de 7, 9 e 13 litros mais eficientes, com potências na faixa de 220 a 540cv; e transmissão Opticruise atualizada, estão entre as novidades da nova geração de caminhões Scania que começa a ser  entregue ao mercado no início do ano que vem

Por João Geraldo

Lançada na Europa em 2016, a nova geração de caminhões da Scania será apresentada oficialmente no Brasil e países da América Latinano no final de outubro, embora no início de agosto a fabricante já tenha feito uma ação de pré-lançamento dos novos produtos em sua unidade industrial, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Visualmente, a diferença de maior destaque em relação aos modelos atuais são as novas cabines – maiores e mais espaçosas-, porém, as novidades vão muito além da aparência mais imponente e moderna, pois trata-se de uma família de veículos que praticamente nada aproveitou dos atuais modelos P, G e R.

Projetada, desenvolvida e produzida pelos designers da Scania da Europa, as cabines da nova geração tiveram a aerodinâmica testada em túnel de vento e podem propiciar até 2% de economia de combustível. De acordo com Celso Mendonça, gerente de pré-vendas da Scania no Brasil, a redução do consumo de diesel dos novos caminhões pode ser de até 12% comparada à linha atual. conforme sua conta, são 8% proporcionados pelo sistema de alta pressão do motor, 2% pela aerodinâmica da cabine e mais 2% das inovações em decorrência da nova geração da caixa de câmbio Opticruise.

Os caminhões Scania da nova geração podem proporcionar redução de consumo de diesel de até 12%, afirmou Celso Mendonça

A nova motorização, explicou, reduz também os níveis de ruídos e emissões, tudo graças à eficiência do sistema de injeção de diesel com múltiplos pontos. “São as maiores máquinas de economia de combustível da história da Scania”, exaltou Mendonça. Além dos novos propulsores, a transmissão Opticruise da nova geração, chamada de day shaft brake, realiza as trocas de marcha em 0,4 segundos. Isso é a metade do tempo da versão atual. “O sistema é tão rápido que mantém a pressão do turbo. Com isso, o caminhão aumenta a velocidade com maior torque na marcha seguinte mantendo suavidade nas trocas”, acrescentou.

A família de motores XPI dos novos Scania, que na Europa já atende à fase Euro 6 do programa de emissões, começa com propulsores de 7 litros e potências de 220, 250 e 280cv, seguida pela de 9 litros com 280, 320 e 360cv. A linha de 13 litros, por sua vez, é constituída por potências de 410cv, 450cv, 500 e 540cv. Já o motor V8, de 16 litros e 620cv, também está na nova gama de caminhões para o mercado brasileiro e com ele a marca passa a oferecer 10 diferentes potências. Vale lembrar que o motor de 510cv – antecipado ano passado na Fenatran, junto com o de 450cv – passou para 540cv, uma potência inédita no mundo Scania que fará estreia mundial no Brasil.

Cabine S, a mais alta da marca, tem piso totalmente plano, 207cm de altura interna e quatro degraus de acesso ao interior

Já a disponibilidade de 280cv  de potência, tanto no motor de 7 litros quanto no de 9 litros, vai depender da aplicação do veículo, explicou Mendonça, lembrando que essa faixa atende o segmento de caminhões semipesados. Outro ponto sobre os novos propulsores é que cinco deles são movidos também por combustíveis alternativos, como o GNV/Biometano (nos motores de 400cv e 280cv) e Bioetanol (nos motores 410cv, 340cv e 280cv).

Motor rebaixado e eixo reposionado 50mm à frente baixaram o centro de gravidade dos novos modelos

Na nova linha de caminhões o centro de gravidade da cabine ficou mais baixo, proporcionando mais estabilidade quando o veículo faz curvas, e também em condição de forte frenagem. Celso Mendonça explica que esse resultado se deve a fatores como o reposicionamento à frente do eixo dianteiro em 50mm e o rebaixamento do motor. “Um cavalo mecânico 4×2 com cerca de 40 toneladas de PBTC, em velocidade de 80 km/hora, pode parar totalmente em uma distância 5% mais curta. É um dado muito importante para a segurança nas estradas”, acrescentou. Outra novidade da nova linha são as 26 possibilidades de entre-eixos. Na linha atual são apenas cinco.

As novas cabines têm duas polegadas a mais de comprimento e teto 10cm maior)  e podem abranger 19 especificações (as atuais são apenas sete). Essa variedade vai permitir à fábrica personalizar a solução mais ideal possível ao cliente para cada tipo de aplicação, independente do espaço interior, economia de diesel ou capacidade de carga. Projetada e produzida pelos próprios designers da Scania, a estrutura básica das novas cabines teve seu desenvolvimento em estreita cooperação com a engenharia da Porsche.

A forma de vender a nova geração de caminhões será diferente a partir de agora, garantiu Silvio Munhoz, diretor comercial da Scania no Brasil

Construídas em aço mais resistênte, são disponibilizadas em três alturas de teto nas versões S (highline), 207cm, normal, 181cm e low, 150cm. A versão S tem o piso totalmente plano, uma novidade da marca. Como é do conhecimento dos motoristas, essa solução traz conforto, pois facilita o deslocamento interno. Por ser mais alta, o acesso ao interior da cabine S é por meio de uma escada de quatro degraus, nas demais são três.

Comparadas à linha atual, as cabines da nova geração oferecem maior visibilidade ao motorista devido à área frontal envidraçada ter sido aumentada a partir do rebaixamento do painel de instrumentos. Outro diferencial é o reposicionamento do banco do motorista, 65mm mais próximo do para-brisa e 20mm para o lado direito e com regulagem dos estágios da suspensão a ar dos assentos.

Tido como itens inéditos em caminhões, as cabines contam com air bag nas laterais integrados ao teto. Junto com o cinto de segurança, forma uma cortina que protege o motorista em casos de tombamento do caminhão, acidente visto com certa frequência nas rodovias brasileiras. De acordo com a engenharia da Scania, essa técnica de segurança nunca tinha sido usada antes em caminhões. Ainda no item segurança, os espelhos retrovisores oferecem funções grande angular, ajustes elétricos e amortecimento contra vibrações, nas versões R e S. Para os espelhos frontais, o ajuste elétrico é item opcional.

“A partir da nova geração de caminhões Scania, o vendedor passará a ser praticamente um consultor de negócios. A equipe de vendas terá uma ferramenta que vai escolher qual será a melhor solução de transporte para a atender a necessidade do cliente”, afirmou Silvio Munhoz, diretor comercial da Scania no Brasil. De acordo com o executivo, a especificação do veículo – que passará a ser apenas mais um item – será baseada na aplicação ideal. “Será possível montar no mínimo 500 alternativas de tipos de caminhões. A ferramenta irá escolher a melhor cabine, eixos, trações, implemento, serviços e até alternativa financeira. É mais uma revolução que se inicia no Brasil”, detalhou. Para Munhoz, não se trata apenas de um produto que chega para revolucionar o mercado nacional, pois a forma da rede de concessionários vender a nova geração Scania será muito diferente a partir de agora.

Christopher Podgorski, CEO da Scania, disse que a nova geração de caminhões vem embarcada com uma nova forma de pensar o transporte

O presidente e CEO da Scania Latin America, Christopher Podgorski, acrescentou que com os novos veículos empresa passa a oferecer ao mercado um portfólio de soluções sem precedente. Segundo ele, a nova geração da Scania vem embarcada com uma nova forma de pensar o transporte, e com uma plataforma já preparada para o presente e o futuro. O executivo reforçou que essa geração de caminhões é resultado de 10 anos de desenvolvimento que exigiu investimentos em torno de 2 bilhões de euros.

Dessa nova linha, em 2016 a Scania introduziu na Europa primeiro os modelos para longa distância, seguidos pelos de transporte regional e urbano e aplicações severas. Também lá, os lançamentos serão concluídos em setembro deste ano. Aqui no Brasil, todos os produtos estarão disponíveis para entrega entre fevereiro e março de 2019. Porém, as vendas já vão começar na segunda quinzena de outubro e faturados a partir de fevereiro de 2019. Os preços, conforme disse Silvio Munhoz, serão em torno 10% e 15% acima do valor dos modelos atuais.