Assunto também será debatido na 19a Transposul (Guilherme Gargioni)

Um dos principais fatores de aumento no custo logístico no Rio Grande do Sul é a falta de conservação das rodovias do Estado. Muitas das rodovias gaúchas têm mais de quarenta anos de existência e foram projetadas para receber um determinado tipo de caminhão e, hoje, por elas, trafegam veículos maiores e mais pesados. Isso causa a rápida deterioração da estrada e, como não são reparadas adequadamente, piora as condições de trafegabilidade.

Os veículos, que circulam pelo modal rodoviário gaúcho, acabam se desgastando de forma mais rápida do que os que trafegam por estradas de qualidade. Entre os itens de maior desgaste estão, as  molas, freios, pneus e carrocerias.

De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado do Rio Grande do Sul – SETCERGS, Afrânio Kieling, o custo logístico aumenta entre 0,3% e 0,4% ao ano, fazendo com que essa conta represente quase 25% do Produto Interno Bruto (PIB), quando não deveria ser mais do que 6,2%. Ou seja, cerca de um quarto do preço de tudo que se paga é em decorrência das más condições de infraestrutura. Nos Estados Unidos, não passa de 8,5%. Na Europa, fica abaixo de 8%.

Kieling destaca ainda que o transporte rodoviário é o principal modal do Rio Grande do Sul, correspondendo a quase 90% da movimentação no estado e que com estradas sem pavimentação ou não duplicadas, existe um gasto mais elevado, fazendo com que o custo repassado aos produtos transportados represente cerca de 30% do valor da mercadoria. A solução é o investimento em infraestrutura.

Países que investem em infraestrutura apresentam um Produto Interno Bruto superior ao brasileiro e o custo com transporte de cargas representa, em média, menos de 10% do PIB, segundo informações de Kieling. “ Se tivéssemos estradas em plenas condições os custos variáveis de transporte, como combustível, pneus, peças e manutenção dos caminhões poderiam ser reduzidos em até 20%. As más condições das rodovias é que encarecem a logística e não a dependência do modal rodoviário”, afirma Kieling.