O motorista de caminhão está cansado de saber que uma boa negociação de frete garante um faturamento mais rentável no final do mês. Além disso, sabe também que o controle dos gastos com combustível, pedágio, manutenção, depreciação do veículo, alimentação, entre outros custos que envolvem a operação de transporte, o ajuda a avaliar, com maior clareza, se o valor oferecido por um determinado frete realmente vale a pena.

Nos últimos três anos, com a estagnação da economia e a consequente redução drástica na oferta de carga a ser transportada, que também trouxe a desvalorização do valor do frete, aumentou também a necessidade de o carreteiro ter maior controle dos seus custos. Isso porque, em contrapartida, o preço do combustível e demais custos aumentaram significativamente, tornando a situação cada dia mais difícil para a atividade.

Mas negociar um valor justo de frete parece estar cada dia mais difícil.

O engenheiro Antônio Lauro Valdivia Neto, especialista em transporte e assessor da NTC & Logística, concorda que com a crise estabelecida a pressão seja grande para aceitar qualquer valor de frete, principalmente para os motoristas de caminhão que estão com dívidas e pressionados pelo vencimento das parcelas. “O frete vem caindo desde 2014. O pior é que o volume de carga transportada também vem diminuindo e a receita de quem transporta anos despencou nos últimos três anos.

Lauro diz ainda que para aqueles que não têm dívidas é importante avaliar bem os fretes que aparecem e acei­tar somente aqueles que realmente trouxerem retorno positivo. Alerta que o motorista não deve se iludir com o volume de carga, porque até hoje o que se viu foi transportador quebrando com excesso de carga e frete baixo, porém, quase nunca o contrário.

Pesquisas da NTC apontam uma defasagem no frete cobrado da ordem de 30 a 35% se considerados os impostos devidos e uma margem de lucro razoável. O engenheiro Lauro Valdívia afirma que existe uma necessidade urgente de aumento do frete, pois o percentual de 4% é muito pouco para atender as necessidades do setor (cuja defasagem está em 30%). Ele explica que o setor sobrevive pagando o custo do envelhecimento da frota, porque o dinheiro que poderia ser investido na troca do caminhão está sendo utilizado para cobrir prejuízos dos motoristas.

Lauro enfatizou que por falta de pagamento, muitos estão perdendo o caminhão para instituição financeira, enquanto outros não conseguem carregar por não terem o nome aprovado pelas gerenciadoras de risco (por estarem devendo prestações), além de muitos caminhões parados por falta de dinheiro para a manutenção.

Ainda de acordo com Valdivia, nos últimos três anos o setor do trans­porte rodoviário de Cargas encolheu bastante e reduziu a oferta de carga. Isso aconteceu tanto pelo fechamento de empresas e abandono por parte dos autônomos quanto pela adequação do tamanho da empresa ao menor volume de carga (diminuindo galpões e o número de caminhões e de motoristas). “Isto significa que é possível vislumbrar uma da virada, porque a economia. mesmo em ritmo lento, está melhorando.

Na visão de Valdivia, até agora a faca e o queijo estavam nas mãos dos contratantes de transporte, mas agora já é possível enxergar o momento em que passarão para as mãos dos contratados. “E aí, a conta será alta para os contratantes, pois a crise foi longa e diminuiu muito a oferta de transporte. Isso significa que não teremos nem motoristas contratados nem autônomos para suprir a demanda”, finalizou .

 

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