Se as vendas de caminhões novos recuam e as montadoras reduzem a produção, é normal a queda atingir também os fornecedores de componentes que suprem a indústria automotiva. Este ano por exemplo, a retração de 30% das vendas de veículos comerciais no período de janeiro a novembro, provocou forte impacto também nos fabricantes de pneus.

De acordo com dados da ANIP, associação nacional que representa a indústria de pneus e de câmaras de ar, somente no terceiro trimestre de 2016 o fornecimento para as montadoras caiu 12,7%, de 222.029 para 193.797 unidades. Pelo levantamento da entidade, houve também registro de aumento na reposição, com evolução de 1,6%  da vendas em relação ao total registrado no mesmo período de 2015. O crescimento foi de 21.397 unidades, passando de 1.371.392 para 1.392.789 pneus.

“A queda no volume de atividades gerou uma redução significativa na atividade de transporte e na demanda por pneus, e neste cenário existe uma nova realidade à qual temos de nos adaptar”, resumiu o gerente nacional de vendas (linha pesada) da Continental Pneus, Daniel Vasconcelos. Em sua opinião, o registro positivo de 27,2% a mais nas exportações, no terceiro trimestre, e as vendas da reposição, não foram suficientes para tirar do vermelho a queda no índice de vendas para as montadoras.

Ainda de acordo com Vasconcelos, se existe um lado positivo na crise é o fato de os transportadores focarem na redução de custos para obter o melhor resultado na operação. Ele destaca que a compra de pneu de carga é uma decisão técnica e nesse cenário da economia os clientes se tornaram mais exigentes do que já eram, realizando comparações de desempenho dos produtos em relação ao consumo de combustível, à quilometragem e à recapabilidade dos pneus.

Para atender a esse público ele explica que a Continental tem investido em tecnologias embarcada para redução dos custos operacionais. Um dos exemplos de tecnologia da empresa é o Air Keep Inner Liner™, que reduz a perda de ar interna e mantém a resistência do pneu ao rolamento em um nível ideal e com reflexos na economia de combustível e na menor emissão de gás carbônico na atmosfera.

Uma das tecnologias utilizadas pela Continental nos pneus de carga que produz é a Air Keep Inner Liner, capaz de reduzir a perda de ar interna

Ao lado do combustível, o pneu representa um dos maiores custos do transporte rodoviário, fato que levou fabricantes do setor a investirem em novas tecnologias para aumentar a primeira vida e também o número de recapagens. Alessandra Rudloff, gerente de marketing Brasil de pneus de caminhão e ônibus, da Michelin, acrescenta que ao longo dos anos houve um aumento significativo na vida total e na performance do pneu. “Melhorou a segurança e minimizou o impacto ambiental, com menos consumo de energias, matérias-primas, combustível e menor descarte entre outros benefícios”, explicou.

Alessandra Rudloff destacou também que recentemente a Michelin lançou uma geração de pneus para ônibus e caminhões com tecnologia desenvolvida aqui no País e por uma equipe majoritariamente brasileira. Segundo ela, essa nova tecnologia oferece maior resistência e durabilidade à carcaça do pneu sem câmara fabricado pela empresa, com ganhos de até 10% no rendimento quilométrico. “Isso, devido a reforços em três áreas do pneu: talão (área de contato com a roda), no topo (única área de contato com o solo) e na lateral”, acrescentou.

Geração de pneus para caminhões e ônibus desenvolvida no Brasil por equipe brasileira destaca itens como maior resistência e durabilidade
A partir de 2019 a Dunlop começa a fabricar pneus de carga no Brasil com tecnologia japonesa que permite a produção sem emendas

Hoje em dia já existem muitas frotas no Brasil que fazem um excelente trabalho de monitoramento dos pneus e entendem que podem reduzir não só o seu custo como também de outros insumos, fazendo inspeções e aplicando o produto corretamente. A afirmação é do gerente sênior de vendas e marketing da Dunlop, Rodrigo Alonso. Ele adverte que o desembolso inicial na compra do pneu não pode ser analisado isoladamente, pois deve ser considerado também como a tecnologia deste produto impactará no consumo de combustível, na redução do custo por quilômetro rodado e no aumento do índice de recapabilidade da carcaça.

Alonso cita ainda que a indústria brasileira de pneus evoluiu muito nos últimos anos e lembra que a partir de 2019 a Dunlop começará a fabricar no Brasil pneus para caminhões. A empresa vai utilizar o sistema Sun System, tecnologia japonesa que permite produzir sem emenda. “Esse processo aumenta consideravelmente a qualidade dos pneus, resultando em uma rodagem mais confortável, otimizando o tempo de resposta em manobras devido à maior uniformidade do produto”, explicou.

Além da tecnologia aplicada na produção, os fabricantes do setor disponibilizam também outros recursos já existentes que contribuem para prolongar a vida útil do pneu. A Pirelli, por exemplo, conta com o sistema Cyberfleet, uma solução para reduzir o consumo de combustível e a eficiência do custo de manutenção.

Ana Cláudia Pugina, diretora de marketing para Truck e Agro da companhia, explica que o sistema é instalado em cada pneu por meio de um chip que monitora constante e automaticamente a pressão e a temperatura dos pneus nos caminhões. “Desta forma, o proprietário da frota consegue ter em tempo real a situação de cada um dos pneus de sua frota, garantindo que procedimentos precisos de diagnóstico e intervenção sejam feitos”, acrescenta a executiva.

Segundo Ana Cláudia Pugina, o sistema resulta em economia de quase 40% dos custos totais de combustível, em melhor performance e segurança, reparo e manutenção dos pneus. O Cyberfleet é um dos itens de uma gama de serviços e ferramentas desenvolvidas pela Pirelli dedicada à frota, que recebe o nome de Fleet Solutions. A executiva destaca também que a apresentação do Fleet Solutions foi uma forma de a empresa reduzir o impacto da retração do mercado. Isso tanto em relação à produção quanto à rede de distribuição de pneus de carga.

Chip que possibilita o monitoramento constante da pressão e da temperatura do pneu é uma das soluções disponibilizadas pela Pirelli

Mesmo em período de retração da economia brasileira a Goodyear não deixou de investir no País. A empresa prosseguiu inovando e apresentando ao mercado produtos com tecnologia capaz de ajudar a reduzir o custo do transportador, conforme explicou Fábio Garcia, gerente de marketing de pneus comerciais da companhia.

Ele lembra de lançamentos feitos pela Goodyear em 2016 e destaca como os mais importantes a linha KMAX para eixo direcional, de tração e para condições severas no serviço regional, além dos pneus CityMax Plus para o segmento urbano, estes com garantia de sete anos e chip integrado de fábrica.

“Estes lançamentos refletiram positivamente para a redução do impacto da retração das vendas, apesar do cenário desafiador”, disse Garcia.  Ele ressalta que a tendência de recuperação do mercado, até 2020, reforça os investimentos realizados pela Goodyear nos últimos anos. Um deles foram os R$ 240 milhões de dólares ocorrido entre 2012 e 2015 na fábrica de Americana/SP. Os recursos foram investidos na ampliação da linha de produção, no aumento da capilaridade da fábrica e também no desenvolvimento de tecnologias para atender ao mercado. “É o momento de aproveitar oportunidades, por isso não paramos os processos. Se havia previsão de lançar um produto, vamos lançá-lo. Já passamos por outras situações mais fáceis e mais difíceis, mas elas foram sempre superadas”, concluiu Garcia.

Investimentos na fábrica no Interior de São Paulo e lançamentos feitos em 2016 mostram a disposição da Goodyear no mercado brasileiro

Além de produtos eficientes e alta qualidade, é importante também ao fabricante de pneus apresentar soluções diferenciadas como, por exemplo, uma rede próxima ao cliente. A receita é do diretor comercial da Bridgestone, Renato Baroli, para quem os transportadores tiveram sempre conhecimento técnico muito grande. Acrescenta que agora com todas as ferramentas tecnológicas e redes sociais, os transportadores estão ainda mais informados e exigentes. “É pensando nesse público extremamente capacitado que desenvolvemos nossos novos produtos”, disse Baroli.

Produtos eficientes, de alta qualidade e a rede de distribuidores perto dos clientes é parte da estratégia da Bridgestone no mercado brasileiro

O executivo acrescenta também que a aplicação de tecnologias mais avançadas possibilita à Bridgestone desenvolver pneus que ofereçam maior capacidade de carga, excepcional tração, maior estabilidade e vida útil mais longa. Tudo isso para levar ao usuário a melhor opção de custo e benefícios.  Baroli acrescenta que recentemente a empresa lançou seus primeiros pneus de carga da linha Ecopia (com apelo ecológico), projetados com materiais que minimizam a resistência ao rolamento, aumentam a eficiência energética e ajudam a reduzir a emissão de CO2 (dióxido de carbono).